Expansão do PCC e CV: A Nova Realidade Criminosa na Guiana Francesa

A atuação de organizações criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), ultrapassou as fronteiras do Brasil, estabelecendo-se de forma significativa na Guiana Francesa. Este território ultramarino francês, que faz fronteira com o estado do Amapá, tornou-se um ponto estratégico para essas facções, atraídas pela geografia complexa e pela dificuldade de fiscalização na região.
Estudo Revela a Consolidação das Facções na Guiana Francesa
Um relatório elaborado pelo Centro Nacional de Pesquisa Científica da França (CNRS) e a Direção dos Serviços Penitenciários do Ultramar (DSPOM) fornece uma análise detalhada desse fenômeno. Assinado pelos pesquisadores Gabriel Feltran, Gérard Pescheux e Olivier Desternes, o estudo, publicado em março de 2025, destaca a presença crescente de facções como a Família Terror do Amapá (FTA) e Amigos para Sempre (APS) no solo francês.
O Contexto Geográfico e Socioeconômico do Amapá
Localizado na região Norte do Brasil, o Amapá possui uma área de 142.253,8 km² e uma população estimada em 806.517 habitantes. O estado faz fronteira ao norte com a Guiana Francesa, através do município de Oiapoque, e ao noroeste com o Suriname. Essa localização estratégica, junto com a proximidade do Oceano Atlântico, favorece a movimentação de grupos criminosos e o tráfico de drogas e armas.
A Evolução das Redes Criminosas
Os pesquisadores apontam que a evolução das facções na Guiana Francesa envolve um enraizamento local, onde as organizações não são compostas apenas por brasileiros, mas também por detentos franceses, muitos deles com laços familiares no Brasil. Essa diversidade cultural se reflete nos idiomas falados nas prisões, como francês, português e uma mistura chamada 'portunhol'.
Impacto Social e Taxas de Homicídio
A presença dessas facções tem sido diretamente relacionada ao aumento das taxas de homicídio na Guiana Francesa, que já é considerada a mais alta entre os territórios franceses. Os dados revelam que a maioria das vítimas são jovens, frequentemente estrangeiros, e a grande parte dos homicídios ocorre com o uso de armas de fogo. Essa realidade gera preocupações sobre a segurança pública e a eficácia das políticas de controle.
Oiapoque: Um Ponto Crítico de Tráfico
Oiapoque, devido à sua proximidade com a Guiana Francesa e às suas potencialidades econômicas, como a exploração de petróleo, se tornou um ponto crítico para o tráfico internacional. O secretário de Segurança Pública do Amapá, Cézar Vieira, ressalta que a Guiana Francesa é agora um espaço disputado pelas facções criminosas, atraídas pela logística facilitada pela geografia local.
Dados Alarmantes sobre Homicídios e Prisionais
Entre 2019 e 2020, a Guiana Francesa registrou 66 homicídios, refletindo a maior taxa proporcional entre os territórios ultramarinos franceses, com 11,6 por 100 mil habitantes. Um alto percentual das vítimas apresentava vulnerabilidade social e 54% eram estrangeiros. Além disso, o uso de armas de fogo em 58% dos casos destaca uma grave questão de segurança pública que precisa ser abordada.
A Influência das Facções no Sistema Prisional
Os dados do Centro Penitenciário de Remire-Montjoly apontam um enraizamento das facções no sistema prisional da Guiana Francesa. A FTA se destaca como a facção com maior número de membros, incluindo uma significativa quantidade de franceses. O CV também exibe uma presença considerável, enquanto o PCC, embora menor, ainda mantém uma influência notável.
Conclusão: Uma Nova Dinâmica Criminosa
A expansão das facções criminosas brasileiras na Guiana Francesa representa um desafio complexo para as autoridades locais e internacionais. A intersecção entre crime organizado, questões sociais e políticas de segurança pública exige uma abordagem colaborativa e eficaz para mitigar os impactos e restaurar a ordem na região. A situação demanda uma atenção urgente, não apenas para proteger a população, mas também para prevenir a consolidação de um cenário de violência e impunidade.
Fonte: https://g1.globo.com











