Irmã e sobrinho de ex-governador de Roraima são acusados de financiar garimpo ilegal na Terra Yanomami

Irmã e sobrinho de ex-governador de Roraima são acusados de financiar garimpo ilegal na Terra Yanomami

A Justiça Federal deu início a um processo criminal contra Fabrício de Souza Almeida e Vanda Garcia de Almeida, sobrinho e irmã do ex-governador de Roraima, Antonio Denarium. Ambos estão sendo acusados de financiar atividades de garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami, um crime que, segundo o Ministério Público Federal (MPF), movimentou cerca de R$ 64 milhões entre 2017 e 2021.

Acusações e Implicações Legais

Além de Fabrício e Vanda, outras quatro pessoas foram incluídas na denúncia e agora enfrentam acusações de organização criminosa, lavagem de dinheiro e usurpação de bens públicos. As penas combinadas para essas infrações podem ultrapassar 20 anos de prisão, evidenciando a gravidade das acusações. O MPF também solicitou que os réus sejam condenados a pagar uma indenização de pelo menos R$ 500 mil por danos morais coletivos aos indígenas da região.

Estratégias de Ocultação

De acordo com o MPF, o grupo utilizava diversas táticas para ocultar a origem ilícita dos recursos financeiros. Isso incluía transferências frequentes entre contas bancárias, saques em pequenas quantias e a utilização de empresas sem atividade real para disfarçar a movimentação de dinheiro. Uma das empresas investigadas, que deveria atuar como prestadora de serviços, movimentou mais de R$ 11 milhões sem apresentar um funcionamento efetivo.

Ação da Polícia Federal

Em fevereiro de 2023, Fabrício e Vanda foram alvos da operação Bal, que visava desmantelar esquemas de lavagem de dinheiro relacionados ao comércio de ouro ilegal. Durante a operação, a Polícia Federal apreendeu equipamentos típicos de garimpo na residência de Fabrício, incluindo bombas hidráulicas e uma resumidora de cassiterita, além de uma balança de precisão e um caderno com registros detalhados de operações de transporte e venda de ouro.

Reações e Justificativas

Em resposta às acusações, Antonio Denarium, ex-governador e tio dos réus, afirmou que não tem responsabilidade sobre as ações de seus parentes, que vivem em lares separados. Ele enfatizou que, caso algum ilícito tenha sido cometido, os envolvidos devem ser responsabilizados de acordo com a lei, reiterando a separação entre sua família direta e os acusados.

O Papel do MPF e da Justiça

O caso está sendo conduzido pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado da Procuradoria da República em Roraima, em colaboração com o 2º Ofício da Amazônia Ocidental. Essa parceria visa fortalecer as ações contra a mineração ilegal que afeta não apenas a fauna e flora locais, mas também as comunidades indígenas que habitam essas terras.

A denúncia e as evidências coletadas até o momento colocam em destaque a necessidade de um combate mais eficaz à exploração ilegal de recursos naturais, especialmente em áreas que são essenciais para a preservação e os direitos das populações indígenas.

Fonte: https://g1.globo.com

Redação - WM

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