Parteiras Tradicionais do Amapá: Guardiãs da Maternidade em Comunidades Distantes

Em regiões remotas do Amapá, onde o acesso a serviços de saúde é precário, as parteiras tradicionais desempenham um papel crucial no suporte a gestantes e na realização de partos. Este trabalho é especialmente vital em áreas ribeirinhas e de difícil acesso, onde os hospitais muitas vezes estão a horas de distância.
O Papel Vital das Parteiras
Além de assistirem nascimentos, essas mulheres dedicadas acompanham a gestação, oferecem orientações às mães e apoiam as famílias que vivem longe dos centros urbanos. Em muitos casos, elas se tornam as únicas fontes de assistência materna, garantindo que as mães tenham o suporte necessário durante toda a gravidez.
Histórias de Vida e Dedicação
Em Mazagão, Emília Belo é uma das parteiras mais conhecidas, com mais de seis décadas de experiência. Sua trajetória começou quando ainda era jovem, ao ajudar sua própria irmã durante o parto. "Foi um momento de grande aprendizado, mesmo sem ter a experiência formal. A necessidade me fez agir", relembra Emília, que ainda hoje se dedica ao ofício com paixão.
A Rede de Parteiras no Amapá
Atualmente, cerca de 800 parteiras estão registradas na Rede de Parteiras do Amapá. Maria Luiza Dias, presidente da associação, enfatiza a importância desse trabalho em áreas carentes de profissionais de saúde. "Elas são fundamentais em locais onde médicos e enfermeiros não têm acesso. As parteiras oferecem assistência em todas as etapas da maternidade", afirma.
Desafios Logísticos e a Realidade da Maternidade
A distância até a capital, Macapá, pode ser um grande obstáculo. Por exemplo, em Lago de Ajuruxi, a viagem pode levar até oito horas. Rute Almeida, que atua na região, expressa seu compromisso: "Fazer parte desse processo é um privilégio. Cada vida que ajudamos a trazer ao mundo é uma história que continuamos", destaca.
O Parto Humanizado nas Comunidades
Na capital, algumas mulheres escolhem dar à luz em casa, e as parteiras também estão presentes nesse contexto. Guimar Sarges, que tem experiência em partos humanizados, comenta sobre os desafios enfrentados nas comunidades mais isoladas do arquipélago do Bailique. "A logística é complexa, mas a satisfação de ajudar uma mulher a dar à luz é incomparável", relata.
Conclusão: A Importância da Tradição
As parteiras do Amapá são mais do que simples assistentes de parto; elas são guardiãs de uma tradição que se mantém viva em meio a dificuldades. Sua dedicação e habilidade não apenas ajudam a trazer novas vidas ao mundo, mas também fortalecem laços familiares e comunitários. Em um cenário onde o acesso à saúde é limitado, essas mulheres se tornam verdadeiras heroínas, garantindo que a maternidade continue a ser uma experiência suportada por amor e tradição.
Fonte: https://g1.globo.com











