Empreendendo na Fronteira: A História de Jhenife Barbosa e seu Açaí em São Jorge

Empreendendo na Fronteira: A História de Jhenife Barbosa e seu Açaí em São Jorge

Na Guiana Francesa, a comunidade de São Jorge, situada a poucos quilômetros da fronteira com o Brasil, se destaca pela produção de açaí. Moradores da capital, Caiena, percorrem cerca de 190 quilômetros para adquirir esse produto, que se tornou uma opção popular entre os locais e turistas.

A Trajetória de Jhenife Barbosa

Aos 22 anos, Jhenife Barbosa é uma jovem empreendedora que se dedica ao comércio de açaí na propriedade familiar. Sua mãe, Lene Lima, natural do Ceará, se estabeleceu na Guiana Francesa há mais de 20 anos, e hoje, a família cultiva, produz e vende o açaí na região. O pai de Jhenife é responsável pela colheita e o preparo do produto, completando assim um ciclo familiar de trabalho e dedicação.

O Fluxo de Clientes e a Vantagem Competitiva

O comércio de Jhenife se beneficia do aumento do fluxo de turistas e moradores que chegam a Caiena por meio de voos internacionais. Ela destaca que muitos visitantes fazem uma parada em São Jorge antes de seguir para o Brasil, o que contribui para o crescimento das vendas. 'Esse movimento ajuda bastante nas vendas', afirma a comerciante, ressaltando a importância do turismo local.

Preços Atraentes e a Busca pelo Produto

O custo acessível do açaí em sua loja também é um fator que atrai clientes. Com um litro custando 5 euros, aproximadamente R$ 29, o produto se torna uma opção muito mais barata em comparação aos preços em Caiena, que podem variar entre 8 e 10 euros, chegando a R$ 58,50. Jhenife explica que essa diferença de preço faz com que a travessia para São Jorge valha a pena: 'Empreender aqui é ótimo'.

Cultura e Línguas na Fronteira

A convivência próxima entre os povos de São Jorge e Oiapoque também é marcada pela troca cultural e pela diversidade de idiomas. Jhenife cresceu falando português em casa e aprendeu francês na escola, além de ter contato com o inglês. 'Meu idioma nativo é o português, mas consigo me comunicar com os turistas porque aprendi francês na escola', afirma a jovem, enfatizando a importância da educação bilíngue na região.

A Travessia entre Países

A proximidade geográfica entre São Jorge e Oiapoque facilita a movimentação diária entre Brasil e Guiana Francesa. A travessia pode ser realizada por catraias em um tempo que varia de 10 a 25 minutos ou, para quem prefere viajar de carro, pela Ponte Binacional sobre o Rio Oiapoque, que leva entre 10 e 15 minutos.

Entendendo as Comunas da Guiana Francesa

Para contextualizar, as comunas na Guiana Francesa funcionam como os municípios brasileiros, desempenhando funções administrativas locais. O território é dividido em 22 comunas, que englobam desde áreas urbanas como Caiena até regiões mais afastadas, refletindo a diversidade cultural e social da região.

Conclusão

A história de Jhenife Barbosa ilustra não apenas o potencial do empreendedorismo na fronteira entre Brasil e Guiana Francesa, mas também como a cultura, a educação e a economia local estão interligadas. Com um produto que representa uma parte significativa da identidade regional, Jhenife e sua família mostram que empreender é uma oportunidade valiosa, especialmente quando se busca atender a uma demanda crescente.

Fonte: https://g1.globo.com

Redação 👨‍⚖️​ Wilson Marinho

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