Fotógrafo Acreano Recebe Prêmio Nacional por Registros da Crise Climática no Vale do Juruá

O fotógrafo Paulo Henrique da Costa Silva, natural de Cruzeiro do Sul, no Acre, conquistou recentemente o primeiro lugar na categoria fotojornalismo do Concurso Dom Phillips e Bruno Pereira de Jornalismo e Comunicação em Defesa do Meio Ambiente, Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais. A premiação foi anunciada durante uma cerimônia realizada em Brasília, destacando a importância da documentação dos impactos ambientais.
O Projeto Vencedor
Paulo recebeu o prêmio por seu projeto intitulado "Memória Visual do Vale do Juruá: A Amazônia Acreana em Tempos Extremos Climáticos". Este trabalho é uma coletânea de imagens que retratam os efeitos devastadores das mudanças climáticas na região. Entre as fotografias, destaca-se uma que mostra crianças em meio a queimadas, capturada durante um ciclo de estiagem, evidenciando as dificuldades enfrentadas pela população local.
Contexto da Premiação
A premiação presta homenagem ao jornalista britânico Dom Phillips e ao indigenista Bruno Pereira, ambos assassinados em junho de 2022, enquanto trabalhavam em prol da proteção ambiental e dos direitos dos povos indígenas no Vale do Javari. Com 920 inscrições, o concurso foi promovido pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República, ressaltando a relevância do tema ambiental na atualidade.
Impactos Visuais dos Eventos Climáticos
As fotografias de Paulo Henrique retratam não apenas queimadas, mas também enchentes que afetaram a região, como a cheia do Rio Juruá que ocorreu neste ano, atingindo mais de 28 mil pessoas em Cruzeiro do Sul. Suas imagens documentam as transformações drásticas que a natureza e os moradores enfrentam, mostrando desde árvores submersas até lares destruídos pela água.
Um Reconhecimento Pessoal
Apesar de não ter comparecido à cerimônia devido a questões logísticas, Paulo expressou sua felicidade e gratidão pela conquista. Ele delegou um amigo, João Raphael Gomes, para receber o prêmio de R$ 30 mil em sua representação. "Estou muito feliz, grato e honrado por esse prêmio, que reconhece a luta de pessoas que morreram pela Amazônia e pela nossa casa", afirmou Paulo, acompanhando a cerimônia pela internet.
Formação e Sensibilidade Fotográfica
Com formação em engenharia agronômica e mestrado em ciências ambientais pela Universidade Federal do Acre, Paulo desenvolveu uma sensibilidade única para capturar a relação entre o homem e a natureza. Ele acredita que sua formação acadêmica contribuiu para a sua visão fotográfica, permitindo que ele documentasse a realidade de uma região muitas vezes esquecida nas narrativas do Brasil.
O Início da Carreira Fotográfica
A paixão pela fotografia surgiu há pouco mais de dois anos, quando Paulo, assistindo a um vídeo no YouTube, decidiu registrar as enchentes em sua cidade. Com uma câmera emprestada e, posteriormente, adquirindo a sua própria, ele iniciou um caminho que o levaria a ser reconhecido nacionalmente. Sua trajetória reflete a urgência de dar visibilidade aos desafios enfrentados pela população local diante da crise climática.
Projetos Futuros
Além de seu projeto premiado, Paulo está engajado em outras iniciativas fotográficas de longo prazo. Uma delas, intitulada "Tudo o que eu vivi antes do fim", captura a rotina dele e de sua mãe em uma casa com sérios problemas estruturais. Outro projeto, "Entre o Corpo e o Cipó", documenta cerimônias de tradições como a ayahuasca, umbanda e espiritismo, ampliando ainda mais seu compromisso com a cultura e os desafios da sua comunidade.
Conclusão
A conquista de Paulo Henrique da Costa Silva no Concurso Dom Phillips e Bruno Pereira não apenas destaca seu talento como fotógrafo, mas também ilumina questões cruciais sobre a crise climática e os direitos dos povos indígenas. Seu trabalho é um chamado à ação e à reflexão sobre a realidade ambiental do Acre e da Amazônia, contribuindo para um diálogo mais amplo sobre a preservação desses ecossistemas vitais.
Fonte: https://g1.globo.com











