Píeres Provisórios em Itacoatiara Facilitam Transporte de Contêineres Durante a Seca

Píeres Provisórios em Itacoatiara Facilitam Transporte de Contêineres Durante a Seca

A movimentação de contêineres nos píeres provisórios de Itacoatiara, no Amazonas, já alcançou milhares de unidades durante a estiagem de 2026. Essas estruturas flutuantes são essenciais para garantir o transporte de mercadorias até Manaus, especialmente em um período em que a redução da profundidade dos rios impõe restrições significativas à navegação.

Operações em Itacoatiara

Os grupos Chibatão e Super Terminais foram responsáveis pela instalação das estruturas flutuantes no município, com as operações tendo início em outubro. Essas instalações atuam como pontos de transferência de cargas, permitindo que grandes navios descarreguem contêineres em balsas que prosseguem até a capital.

Transferência de Cargas

No píer do Grupo Chibatão, desde o começo das operações em 4 de outubro, foram transferidos 663 contêineres para balsas. Esse método, conhecido como alívio de carga, consiste em retirar parte dos contêineres dos navios para reduzir o calado e possibilitar que as embarcações continuem sua viagem até Manaus. Recentemente, o navio Guarujá realizou a transferência de 222 contêineres, reduzindo seu calado de 8,80 metros para 7,90 metros.

Balanço do Super Terminais

No píer do Super Terminais, o procedimento é distinto, pois todo o carregamento dos navios é deslocado para balsas em Itacoatiara, que seguem até Manaus. Segundo dados recentes, três navios foram movimentados em outubro, totalizando 4.825 TEUs, unidade que representa a capacidade de um contêiner de 20 pés.

Condições dos Rios

Enquanto as operações de transporte continuam, o nível do rio Amazonas em Itacoatiara experimenta uma diminuição gradual. Dados do Serviço Geológico do Brasil indicam que, nos primeiros cinco dias de novembro, a cota do rio caiu cinco centímetros, atingindo 3,40 metros na última quinta-feira, 5.

Desafios na Navegação

A baixa profundidade dos rios não é um desafio exclusivo de Itacoatiara. Regiões críticas, como a foz do rio Madeira e a área do Tabocal, também enfrentam dificuldades, onde a redução da profundidade pode impedir a passagem de navios de grande porte que se dirigem a Manaus. Atualmente, 47 municípios no Amazonas estão em estado de emergência devido à estiagem.

Histórico e Impactos da Seca

A instalação dos píeres em Itacoatiara não é uma novidade. Estruturas semelhantes foram utilizadas em 2024, quando a transferência de contêineres foi implementada para evitar interrupções no transporte de carga até Manaus. Essa estratégia surgiu após os problemas enfrentados em 2023, quando uma seca severa resultou na suspensão temporária da navegação de grandes embarcações, causando atrasos significativos.

Consequências Econômicas

Os impactos da estiagem não se restringem ao transporte. Um levantamento do Centro da Indústria do Estado do Amazonas revelou que as empresas enfrentaram custos adicionais em torno de R$ 1,4 bilhão, relacionados a despesas de logística, transporte e armazenamento de insumos. Em 2024, os píeres flutuantes se mostraram uma solução eficaz para evitar a retenção de cargas nos portos de origem, e em 2026, continuam a desempenhar um papel crucial na manutenção do fluxo de mercadorias e insumos destinados ao comércio e ao Polo Industrial de Manaus.

Com a continuidade das operações dos píeres, espera-se que o transporte de mercadorias em tempos de seca se torne mais eficiente, minimizando os impactos econômicos e logísticos enfrentados pela região.

Fonte: https://g1.globo.com

Redação 👨‍⚖️​ Wilson Marinho

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