Ex-presidente do BRB é preso por propina de R$ 146 milhões, segundo a Polícia Federal

A Polícia Federal (PF) prendeu, nesta quinta-feira (16), o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, em uma operação que investiga um esquema de corrupção relacionado ao Banco Master. A prisão foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e é resultado da quarta fase da Operação Compliance.
Acusações de Propina e Esquema de Corrupção
De acordo com as investigações, Costa teria combinado com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, o recebimento de propina que pode chegar a R$ 146,5 milhões. Esse montante, segundo a PF, seria pago por meio da aquisição de quatro imóveis de alto padrão em São Paulo e dois em Brasília. Até o momento, a Polícia Federal conseguiu rastrear pagamentos que totalizam pelo menos R$ 74 milhões.
Bloqueio dos Pagamentos e Informações Reveladas
A PF apurou que a continuidade dos pagamentos foi interrompida após Vorcaro ser alertado sobre uma investigação em curso referente aos valores pagos a Costa. Segundo relatos, o banqueiro recebeu uma cópia do inquérito por meio do aplicativo WhatsApp, o que o levou a suspender os repasses em maio de 2025, embora a data do alerta tenha ocorrido após essa interrupção. O ministro Mendonça validou a versão da PF, reconhecendo a alta probabilidade de que Vorcaro soubesse da investigação antes de receber as informações.
Prisão e Implicações Legais
Além de Paulo Henrique Costa, o advogado Daniel Monteiro também foi preso. Ele é apontado como o intermediário do ex-presidente e teria recebido R$ 86,1 milhões de forma ilícita. A decisão de prisão preventiva foi fundamentada na necessidade de evitar a ocultação de bens, impedir interferências nas investigações e garantir a ordem pública e a eficácia da persecução penal.
O Papel do BRB e as Carteiras de Crédito Falsas
A propina recebida por Costa estava atrelada ao uso indevido de recursos do BRB para a compra de carteiras de crédito falsas do Banco Master. Até o momento, foram adquiridos pelo menos R$ 12,2 bilhões em ativos problemáticos, embora o valor final ainda não tenha sido oficialmente determinado e possa ser superior.
Reação da Defesa
Em frente à residência de Costa, o advogado Cleber Lopes manifestou a posição da defesa, que nega as acusações de corrupção. Lopes afirmou que não considera válida a hipótese de pagamento de propina e destacou que Costa não representa risco para a investigação nem para a aplicação da lei penal. Ele argumentou que não há evidências de que o ex-presidente tenha praticado atos que comprometam o andamento da instrução criminal.
Desdobramentos da Operação Compliance Zero
Desde o início, a Operação Compliance Zero busca desmantelar um esquema ilícito que facilitaria a criação, venda e transferência de carteiras de crédito fictícias do Banco Master ao BRB. As investigações seguem em andamento, e novas informações podem surgir à medida que a PF aprofunda suas apurações.





