Inauguração do Primeiro Data Center de IA na Amazônia Gera Preocupações Ambientais e Debate Social

Inauguração do Primeiro Data Center de IA na Amazônia Gera Preocupações Ambientais e Debate Social

Belém, capital do Pará, se prepara para receber o primeiro data center dedicado à Inteligência Artificial na Amazônia, chamado BEL1, desenvolvido pela Elea Data Centers. Este empreendimento, que será construído na área portuária de Miramar, levanta preocupações relacionadas ao meio ambiente, especialmente no que diz respeito ao potencial aumento da temperatura na região e à ausência de regulamentações específicas para estruturas desse tipo no Brasil.

Impactos Ambientais e Críticas do Ministério Público

O projeto tem gerado um inquérito civil pelo Ministério Público do Pará (MPPA), que busca averiguar os riscos de formação de 'ilhas de calor'. Essas ilhas são áreas urbanas que, devido à concentração de edificações e atividades industriais, apresentam temperaturas significativamente mais altas do que as regiões adjacentes. O promotor Márcio Maués expressou preocupação com os possíveis danos climáticos que podem advir da instalação, citando estudos que indicam um aumento médio de 2°C na temperatura da superfície terrestre ao redor de data centers.

Dados Reveladores sobre o Aumento de Temperatura

Pesquisadores da Universidade de Cambridge realizaram um estudo utilizando dados de satélite da NASA, que monitorou a temperatura em torno de mais de 8 mil data centers no mundo entre 2004 e 2024. Os resultados revelaram que a temperatura da superfície terrestre aumenta em média 2,07°C após o início das operações desses centros, podendo atingir picos de até 9,1°C em áreas próximas. Esses efeitos térmicos podem se propagar por um raio de até 10 km, embora sua intensidade diminua com a distância.

Preocupações de Comunidades Ribeirinhas

A instalação do BEL1 também suscita preocupações em relação às comunidades ribeirinhas vizinhas, como a Ilha das Onças, que está localizada a apenas 4,5 km do local planejado. O promotor Maués destacou que as comunidades não foram consultadas de acordo com as diretrizes da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que exige a participação das populações afetadas em decisões que impactam seu território.

Falta de Comunicação e Transparência

Moradores e ativistas locais, como o empreendedor e ambientalista Murilo Monteiro, manifestaram sua preocupação com a falta de diálogo entre a Elea e as comunidades afetadas. Monteiro ressaltou que a ausência de um processo de consulta pública gera incertezas e a necessidade de maior transparência desde as etapas iniciais do projeto. A falta de comunicação pode prejudicar a confiança da população nas intenções do empreendimento.

Soluções de Resfriamento e Compromissos da Elea

A Elea Data Centers, em resposta às preocupações levantadas, afirmou que utilizará sistemas de ar-condicionado para o resfriamento de seus equipamentos, evitando o uso de água. Essa técnica, chamada 'expansão direta', é uma forma de refrigeração industrial comumente aplicada em data centers. Apesar das promessas de inovação e desenvolvimento, o verdadeiro impacto ambiental da instalação ainda precisa ser avaliado de forma mais abrangente.

Conclusão: A Necessidade de Regulamentação e Diálogo

A chegada do BEL1 representa uma oportunidade significativa para a região Norte do Brasil, ao ampliar o acesso a tecnologias de ponta em IA e computação em nuvem. No entanto, os riscos associados ao aumento da temperatura e à falta de regulamentações ambientais específicas não podem ser ignorados. É fundamental que haja um diálogo aberto entre a Elea, as autoridades e as comunidades locais para assegurar que o desenvolvimento tecnológico não comprometa o bem-estar ambiental e social da Amazônia.

Fonte: https://g1.globo.com

Redação 👨‍⚖️​ Wilson Marinho

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