Reabertura da Pesca do Mapará Mobiliza Comunidades no Pará

Reabertura da Pesca do Mapará Mobiliza Comunidades no Pará

No último domingo, 1º de outubro, a pesca do mapará foi oficialmente reaberta no Baixo Tocantins, localizado no nordeste do Pará. Após um período de defeso que durou quatro meses, entre novembro e fevereiro, a volta da captura desse peixe emblemático foi celebrada por centenas de comunidades da região, que veem na pesca uma importante manifestação cultural e fonte de sustento.

Preparativos para a Temporada

Desde as primeiras horas da manhã, pescadores de Cametá se reuniram para realizar os 'borqueios', uma técnica tradicional de cerco aos cardumes de mapará. A cidade, que possui cerca de 150 mil habitantes, conta com 250 comunidades ribeirinhas, das quais aproximadamente 40 mil pessoas vivem em ilhas. O secretário de meio ambiente de Cametá, Lucas Fernandes, destacou a redução drástica nas denúncias de pesca irregular, passando de 332 no ano anterior para apenas duas neste ano, evidenciando os esforços pela sustentabilidade.

Técnicas de Pesca e Desafios

A pesca do mapará no Rio Pindobal, que faz divisa entre Cametá e Igarapé-Miri, exige paciência e estratégias elaboradas. Apenas canoas são utilizadas para não assustar os peixes. Os 'taleiros', responsáveis por localizar os cardumes, utilizam bastões, conhecidos como 'talas', para sentir o fundo do rio. Uma vez detectado o cardume, as redes são lançadas e o cerco se inicia, contando com a atuação arriscada de mergulhadores que ajustam as redes submersas.

Os Riscos Envolvidos

O mergulhador José Gonçalves compartilhou a experiência de sua função, que envolve riscos significativos, como ficar preso em redes de pesca. "É uma tarefa arriscada. Se a gente ficar preso na rede, acaba o fôlego e podemos morrer", revelou. Apesar dos perigos, a emoção de ver o rio se transformar em um espetáculo de embarcações e a captura do mapará traz um sentimento de união entre pescadores, ribeirinhos e turistas.

Festa e Colheita

A paixão pela pesca é uma tradição que passa de geração em geração, e durante a reabertura da temporada, famílias inteiras se reúnem para participar do evento. Em média, cada 'borqueio' resulta na captura de cerca de 10 toneladas de mapará, o que provoca uma verdadeira festa nas embarcações. Os pescadores comemoram a fartura, e um dos deles, Jorge, expressou sua satisfação ao mostrar as basquetas cheias de peixe.

Aspectos Econômicos e Sociais

Além do aspecto cultural, a pesca do mapará desempenha um papel crucial na economia local. Norberto Lima, um dos pescadores, explicou que a renda gerada pela pesca é dividida entre os pescadores e a comunidade, com cada um recebendo 50%. Esta atividade garante sustento e melhora na qualidade de vida dos ribeirinhos até a próxima temporada, em novembro.

Com a reabertura da pesca do mapará, as comunidades do Baixo Tocantins se preparam para um período de celebração e prosperidade, reafirmando a importância do peixe mais famoso da região tanto na cultura quanto na economia local. O clima festivo é palpável, e a expectativa é de que a abundância traga alegria e sustento para todos os envolvidos.

Fonte: https://g1.globo.com

Wilson Marinho

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