Laudo indica ausência de contaminação no Rio Tarauacá, mas especialista alerta sobre riscos ambientais

Laudo indica ausência de contaminação no Rio Tarauacá, mas especialista alerta sobre riscos ambientais

Um laudo técnico da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) do Acre informou que não foram detectados sinais de contaminação nas amostras de água coletadas do Rio Tarauacá após o vazamento de 15 mil litros de óleo, ocorrido em 24 de abril, no município de Jordão. A análise, realizada quatro dias após o incidente, revelou que todos os parâmetros avaliados estavam dentro dos níveis normais, permitindo que a água seja considerada potável.

Contexto do Vazamento e Ações do Governo

O vazamento de óleo resultou do naufrágio de uma balsa da Transportadora RI Ltda., o que gerou grande preocupação entre os moradores da região e mobilizou órgãos ambientais. Diante da gravidade do ocorrido, foi decretada situação de emergência em Jordão. Em resposta ao desastre, a Sema coletou amostras da água e aplicou uma multa de R$ 3 milhões à transportadora, a qual ainda pode apresentar recurso contra a penalidade.

Resultados do Laudo e Monitoramento Contínuo

O laudo da Sema, que foi enviado ao Ministério Público do Acre (MP-AC) e à Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), confirmou que não houve concentrações de compostos tóxicos que indicassem contaminação. Os resultados de análises de substâncias como benzeno e tolueno estavam abaixo dos limites de referência. Contudo, a turbidez das amostras apresentou variações significativas, atribuídas ao período chuvoso na região, que aumenta a quantidade de sedimentos e matéria orgânica na água.

Perspectivas de Risco Segundo Especialistas

Apesar das conclusões do laudo, Rodrigo Peréa, professor e pesquisador em Geografia da Universidade Federal do Acre, ressalta que um resultado negativo em análises de água não elimina a possibilidade de um desastre ambiental. Ele explica que a dinâmica dos rios amazônicos pode fazer com que o óleo se disperse rapidamente, dificultando sua detecção em amostras coletadas dias após o evento.

Impactos Ocultos do Derramamento

Peréa adverte que os verdadeiros impactos do derramamento podem não estar visíveis nas amostras de água, mas sim nos sedimentos do fundo do rio e na superfície da água. A presença de diesel pode criar uma película que interfere na troca de oxigênio, afetando diretamente a fauna e flora locais, como peixes, aves e vegetação ciliar, comprometendo, assim, a segurança alimentar das comunidades ribeirinhas.

Comportamento do Óleo em Ambientes Aquáticos

O comportamento do diesel em corpos d'água, conforme destacado por Peréa, é preocupante. Ele pode se acumular em áreas de baixa correnteza e nos sedimentos, onde permanece por longos períodos. Isso significa que, embora o laudo indique água limpa, a lama no fundo do rio pode reter substâncias tóxicas que podem ser liberadas lentamente, representando um risco contínuo para o ecossistema.

Considerações Finais

Em suma, enquanto o laudo da Sema apresenta resultados tranquilizadores no que tange à qualidade da água do Rio Tarauacá, especialistas alertam que a situação não é completamente segura. As implicações de um derramamento de óleo são complexas e podem perdurar no ambiente, afetando a biodiversidade e a saúde das comunidades que dependem desse ecossistema.

Fonte: https://g1.globo.com

Redação - WM

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