Impactos das Cheias e Secas Extremas nas Comunidades Ribeirinhas do Amazonas

Um estudo recente, publicado na revista Environmental Research Letters, revela uma intensificação sem precedentes no ciclo hidrológico do Rio Amazonas. A pesquisa, que abrange dados coletados entre 1970 e 2023, indica que desde 2005, tanto as cheias quanto as secas se tornaram mais severas, resultando em impactos profundos nas várzeas e nas comunidades ribeirinhas do estado do Amazonas.
Metodologia da Pesquisa
O levantamento foi realizado por uma equipe de pesquisadores oriundos do Brasil, França e Reino Unido. Para chegar a suas conclusões, os cientistas integraram medições históricas de nível e vazão do rio com imagens de satélite, além de modelos computacionais que simulam o comportamento da água ao longo de 1.100 quilômetros do Rio Amazonas. Essa abordagem inovadora permitiu um foco detalhado no fluxo de água que adentra grandes áreas de várzea, que são regiões alagadas durante a cheia.
Análise das Comunidades Ribeirinhas
O estudo destacou quatro áreas críticas entre os estados do Amazonas e Pará: Jatuarana, em Manaus; Parintins; Curuai, em Santarém; e Monte Alegre. Em Parintins, por exemplo, as cheias de 2009 e 2021 estabeleceram novos recordes históricos, com a quantidade de água que passou pelas várzeas se aproximando da vazão de alguns dos maiores rios do mundo. Essas enchentes trouxeram danos significativos às habitações, plantações e áreas urbanas.
Efeitos em Manaus
Na capital, Manaus, os dados da estação fluviométrica do Porto de Manaus, que monitora o rio desde 1902, revelam um aumento considerável na diferença entre os níveis mínimos e máximos do rio ao longo do ano. Esta variação, que cresceu 18% em relação ao século passado, sugere um agravamento nas condições de seca e cheia, conforme destacado pelo professor Rodrigo de Paiva, coautor do estudo. Além disso, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) contribuiu para a análise dos efeitos das alterações no ciclo hidrológico.
Impactos em Tefé
O estudo também abordou os efeitos da seca de 2023 em Tefé, onde a temperatura da água no lago atingiu impressionantes 41°C, levando à morte de mais de 200 botos vermelhos e tucuxis. A estiagem severa resultou em uma redução de até 8% na área coberta por água na Amazônia Central, com alguns lagos perdendo até 80% de sua superfície alagada. A pesquisa contou com a colaboração do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, que analisa os impactos das flutuações hídricas na biodiversidade local.
Importância da Preservação
Os pesquisadores fazem um alerta sobre a escassez de áreas de várzea protegidas por unidades de conservação, enfatizando a necessidade urgente de medidas de preservação diante do avanço das mudanças climáticas. De acordo com Jochen Schöngart, coautor do estudo, as informações obtidas servirão para fundamentar políticas públicas voltadas para a conservação dessas regiões cruciais.
A pesquisa ressalta a importância da vegetação das várzeas, como árvores e plantas aquáticas, que desempenham um papel fundamental na mitigação dos impactos das enchentes, ajudando a estabilizar as margens dos rios e a reduzir a força das correntezas.
Conclusão
Com as evidências apresentadas, o estudo destaca a urgência em se adotar ações concretas para proteger as comunidades ribeirinhas do Amazonas, que enfrentam desafios crescentes devido à intensificação das cheias e secas. A preservação das várzeas e a implementação de políticas de conservação são cruciais para garantir a resiliência dessas comunidades e a biodiversidade da região.
Fonte: https://g1.globo.com











