Denúncia de Intimidação em Escola Militarizada de Boa Vista Gera Polêmica

Denúncia de Intimidação em Escola Militarizada de Boa Vista Gera Polêmica

Uma professora do Colégio Estadual Militarizado (CEM) Maria dos Prazeres Mota, localizado no bairro Santa Tereza, em Boa Vista, Roraima, trouxe à tona uma situação de aparente intimidação após questionar a gestão da escola sobre a saída de uma funcionária. O ocorrido se deu em um grupo de mensagens entre os servidores, revelando tensões dentro do ambiente escolar que envolve a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros.

Denúncia Formal e Afastamento do Gestor

A docente, que possui 12 anos de experiência na instituição e é especialista em projetos de escuta psicológica e incentivo à literatura, registrou um boletim de ocorrência no 3º Distrito Policial, no dia 13 de maio. No documento, ela mencionou 'tentativa de intimidação, censura e assédio moral'. Em resposta à denúncia, a Secretaria Estadual de Educação e Desporto (Seed) informou que o gestor da escola foi afastado de suas funções e encaminhado ao comando do Corpo de Bombeiros para que uma investigação fosse realizada.

Investigação e Conclusões da Polícia Civil

A Polícia Civil, após receber dois boletins de ocorrência relacionados ao caso, um da professora e outro do gestor, analisou a situação rapidamente, em menos de 24 horas. A conclusão foi de que não havia elementos suficientes para dar início a uma investigação criminal. A polícia considerou que a questão se referia a um conflito funcional e administrativo, sem indícios de crime, resultando no arquivamento dos procedimentos, embora a possibilidade de reavaliação do caso permaneça em aberto.

A Reunião que Gerou Constrangimento

O desdobramento da situação ocorreu em 9 de maio, quando a professora fez sua pergunta no grupo de WhatsApp, que não recebeu resposta. Dois dias depois, ao chegar para trabalhar, foi convocada para se reunir com o gestor, um tenente-coronel do Corpo de Bombeiros. Durante esse encontro, foi solicitado que ela assinasse um documento de 'alinhamento', que a impedia de fazer questionamentos sobre decisões administrativas da gestão compartilhada. A docente relatou ter se sentido intimidada e constrangida, decidindo não assinar o que considerou uma punição.

Repercussões e Clima no Ambiente Escolar

Após a reunião, a professora observou um aumento no questionamento sobre sua atuação por parte de outros funcionários da escola. Ela se sentiu vigiada e pressionada, com um servidor até indagando se tinha autorização do coronel para estar no local. No dia seguinte, uma comunicação oficial foi feita pela gestão, restringindo os questionamentos sobre decisões administrativas no grupo de mensagens, o que intensificou a sensação de cerceamento da liberdade de expressão dentro da instituição.

Considerações Finais e o Impacto na Educação

A situação reflete um ambiente escolar onde a gestão compartilhada entre educadores e forças de segurança pode gerar conflitos e tensões. A professora, com 38 anos de experiência, expressou sua preocupação com a cultura de silêncio que pode prevalecer em contextos de intimidação, afirmando que tal situação não deveria ser normalizada. O incidente levanta questões importantes sobre a liberdade de expressão e o respeito mútuo no meio educacional, essenciais para a promoção de uma educação de qualidade.

Fonte: https://g1.globo.com

Redação - WM

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