Suspeitas de Vazamento em Operação da Polícia Civil Após Fuga de Empresária em Caso de Fraude

A recente fuga da empresária Cláudia Fernanda Cândido da Silva, logo antes da operação da Polícia Civil que investigava a terceirização das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Palmas, levantou sérias preocupações sobre um possível vazamento de informações sigilosas. O delegado Romeu Fernandes relatou que Cláudia deixou sua casa apenas 14 minutos antes da chegada da equipe policial, o que levantou suspeitas sobre a regularidade do processo.
Circunstâncias da Fuga
De acordo com o delegado, a rotina da empresária era monitorada, e sua saída antecipada foi considerada incomum. 'Elas não costumavam sair de casa tão cedo', explicou Fernandes, enfatizando que a fuga ocorre em um contexto de investigações que identificaram indícios de fraudes em contratos de gestão das UPAs. A saída repentina e o horário incomum levantam a possibilidade de que a empresária tivesse conhecimento prévio da operação.
Investigações e Indiciamentos
A investigação em curso revelou indícios de irregularidades na contratação da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Itatiba, que gerenciaria as UPAs com um contrato de R$ 139 milhões, firmado sem licitação. O Tribunal de Contas do Estado do Tocantins decidiu, em uma medida cautelar, suspender o contrato. Cláudia foi indiciada por corrupção ativa, peculato-desvio, associação criminosa e lavagem de dinheiro após uma semana foragida.
Indiciamentos e Reações
Além de Cláudia, outras nove pessoas foram indiciadas, incluindo a ex-secretária municipal de Saúde, Dhieine Caminski, e o ex-superintendente de Atenção à Saúde, Andreis Vicente da Costa, que permanecem detidos. O delegado informou que os demais envolvidos, que não participaram diretamente da elaboração dos documentos, enfrentarão acusações de peculato culposo. Profissionais da Santa Casa intimados a depor, no entanto, optaram por não colaborar.
Possíveis Obstruções à Justiça
As investigações também apontaram tentativas de obstrução ao trabalho policial, com casos de ocultação de celulares e desaparecimento de provas. Em resposta às acusações, a defesa de Cláudia Fernanda contestou a veracidade do relatório policial, solicitando sua liberacão e alegando falhas no inquérito. A defesa de Andreis, por sua vez, espera uma decisão judicial sobre o pedido de liberdade e pretende ter acesso a documentos em sigilo.
Postura das Instituições Envolvidas
A Santa Casa de Misericórdia de Itatiba afirmou que está à disposição das autoridades para esclarecimentos e que não foi responsável pela condução do processo administrativo da Prefeitura de Palmas. Por sua vez, a Prefeitura declarou sua disposição em colaborar com as investigações, assegurando que os atendimentos nas UPAs continuam normalmente, apesar da suspensão do contrato.
Conclusão e Próximos Passos
Apesar das prisões e exonerações, o contrato entre a Prefeitura de Palmas e a Irmandade da Santa Casa continua em vigor, o que gera tensão e desconfiança entre a população. As investigações prosseguem, com o objetivo de aprofundar a análise financeira do contrato e verificar a participação de outras pessoas no esquema. O inquérito já foi enviado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário, que agora decidirão sobre as próximas etapas do processo.
Fonte: https://g1.globo.com











