Operação Revela Estrutura e Controle do Tráfico do PCC em Roraima

Uma investigação aprofundada revelou como o Primeiro Comando da Capital (PCC) mantém um rigoroso controle sobre o tráfico de drogas em Roraima. Documentos, áudios e vídeos obtidos durante a operação demonstram uma administração organizada, caracterizada por cobranças diárias, horários estabelecidos e a utilização de formulários padronizados para a prestação de contas.
Estrutura Administrativa do Tráfico
Os dados foram extraídos de celulares apreendidos durante uma operação policial que resultou na denúncia de 30 membros da facção. Os arquivos revelam detalhes sobre a gestão das ‘lojas’ de drogas, que, segundo os investigadores, chegavam a lucrar até R$ 1,5 mil por dia, com os valores sendo enviados para líderes em São Paulo.
Cobranças e Prestação de Contas
Os gerentes das lojas eram frequentemente cobrados por relatórios detalhados sobre as vendas e o estoque. Em um áudio interceptado, um membro da facção expressa sua frustração com os atrasos na prestação de contas, insistindo na responsabilidade dos gerentes em manter o fluxo de informações. A comunicação ocorria principalmente via grupos de WhatsApp, onde a pressão por resultados era constante.
Horários de Auditoria e Relatórios
Os gerentes eram obrigados a enviar relatórios duas vezes ao dia: às 9h da manhã e às 21h da noite. Em uma conversa registrada, Vinícius Eduardo, conhecido como ‘Coringa’, solicita a ‘Kadu’, um gerente, a apresentação do ‘esqueleto’ da diária. Este formulário era essencial para a contabilidade e controle das vendas. Em suas mensagens, Kadu reportava a quantidade de drogas e o valor em caixa, evidenciando a rotina intensa de controle financeiro.
Auditorias Físicas e Movimentações
Além dos relatórios escritos, os gerentes eram instruídos a gravar vídeos que comprovassem a quantidade de drogas em estoque, garantindo a transparência das informações. Um dos denunciados, Guilherme Ramos Macedo, foi flagrado realizando auditorias visuais na ‘Loja da Baixada’, reforçando a seriedade das operações da facção.
Logística de Reabastecimento
A operação não se restringia apenas à contabilidade financeira; ela também incluía a logística de reabastecimento das lojas. Mensagens recuperadas mostram a coordenação de envios para diferentes pontos de venda. Um exemplo notável foi o registro detalhado do abastecimento da ‘Loja Rosinha’, comandada por Cilara Rodrigues de Souza, a ‘Kauany’, que era reconhecida como uma das principais lideranças femininas do PCC em Roraima.
Desdobramentos Legais
O Ministério Público de Roraima formalizou a denúncia contra os 30 integrantes do PCC, destacando a operação como um passo significativo no combate ao tráfico de drogas no estado. O processo foi protocolado na Vara Criminal Única da Comarca de Caracaraí, marcando um avanço nas ações contra a organização criminosa.
Essa investigação não apenas expõe a estrutura metódica da facção, mas também ressalta a importância da continuidade das operações policiais para desmantelar redes de tráfico que operam de maneira tão organizada e audaciosa. A atuação do PCC em Roraima, conforme revelado, demonstra a necessidade de um esforço conjunto entre as autoridades para enfrentar o crime organizado.
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Fonte: https://g1.globo.com





