Salto e Graxa: O Primeiro Motoclube Feminino do Amapá e Sua Luta por Independência

No Dia do Motociclista, celebrado em 27 de julho, o g1 destaca a trajetória do Salto e Graxa, pioneiro motoclube feminino do Amapá. Fundado em 2018, esse grupo tem como objetivo desmistificar a presença feminina nas estradas, demonstrando que as mulheres são tão competentes quanto os homens em pilotagem, e que a motocicleta representa um símbolo de liberdade e independência.
A Gênese do Salto e Graxa
A ideia de criar o Salto e Graxa surgiu com Any Cambraia, de 40 anos, que, ao participar de um motoclube masculino, percebeu a escassez de mulheres pilotando. Motivada pela sua própria paixão por motos, ela decidiu que precisava encontrar outras mulheres que compartilhassem desse amor e da necessidade de autonomia sobre duas rodas. Assim, começou a buscar motociclistas, convidando esposas e amigas para formar um grupo.
Estrutura e Organização
Antes de sua formalização oficial, as integrantes do motoclube estudaram a cultura do motoclubismo, elaborando um estatuto com regras de convivência e foco em viagens. O nome ‘Salto e Graxa’ tem um significado profundo: o ‘salto’ representa a feminilidade, enquanto a ‘graxa’ remete à habilidade de consertar a moto em caso de problemas, reforçando a ideia de que mulheres podem e devem ser autônomas.
Caminho para a Integração
Para ingressar no Salto e Graxa, não basta apenas amar motos. As candidatas devem possuir Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e uma motocicleta própria, além de passar por um rigoroso processo de integração que pode levar meses. Inicialmente, as interessadas participam de passeios e entrevistas, seguidas pela fase ‘aspira’, onde aprendem técnicas de pilotagem e práticas de segurança em grupo.
Desenvolvimento Pessoal e Coletivo
O motoclube não só aprimora as habilidades de pilotagem, mas também promove o crescimento pessoal de suas integrantes. Dandara Pinheiro, uma arquiteta de 30 anos, relata como o clube mudou sua forma de encarar a pilotagem, passando de uma iniciante temerosa a uma motociclista confiante, graças ao apoio e treinamento oferecidos pelo grupo. Além das técnicas de pilotagem, as participantes recebem instruções em frenagem, defesa pessoal e primeiros socorros.
Mais que um Hobby: Um Estilo de Vida
Para muitas, pilotar vai além de um simples passatempo. Sangelys Pinheiro, de 29 anos, encontrou no motoclube uma válvula de escape para os desafios pessoais que enfrentava. Para as integrantes do Salto e Graxa, as motocicletas representam uma forma de aliviar o estresse e cultivar amizades baseadas em confiança e apoio mútuo.
Os Laços que Unem
Desde sua fundação, o Salto e Graxa se mantém ativo ao valorizar os laços criados entre as integrantes, que se tornam o verdadeiro combustível do clube. Any Cambraia afirma que pilotar é uma forma de liberdade, mas também um momento de celebração da união e do apoio que existe entre elas. A experiência de andar juntas fortalece a camaradagem e transforma o motoclube em um espaço seguro e acolhedor.
Considerações Finais
O Salto e Graxa não é apenas um motoclube, mas um movimento que representa a luta por espaço e reconhecimento das mulheres no motociclismo. Através de suas experiências, as integrantes mostram que a paixão por pilotar pode ser um caminho para a autodescoberta e empoderamento, reafirmando que as mulheres têm seu lugar nas estradas.
Fonte: https://g1.globo.com











