Paralisação Parcial dos Motoristas da Ricco Impacta Transporte Coletivo em Rio Branco

Paralisação Parcial dos Motoristas da Ricco Impacta Transporte Coletivo em Rio Branco

A cidade de Rio Branco, capital do Acre, enfrenta uma nova crise no transporte coletivo, com uma paralisação parcial iniciada na última terça-feira, dia 17. A ação dos motoristas da Ricco Transportes e Turismo, empresa que opera na cidade há quatro anos sob um contrato emergencial, é motivada por atrasos no pagamento de salários.

Impacto da Paralisação na Frota

De acordo com informações do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte de Passageiros e Cargas do Estado do Acre (Sinttpac), a paralisação afeta significativamente a frota de ônibus. Durante os horários de pico, que compreendem das 6h às 9h e das 17h às 19h, apenas 70% dos ônibus estão em operação, enquanto 30% permanecem parados. Nos horários de interpico, a situação é semelhante, com 50% da frota circulando e 50% fora de operação.

Condições Operacionais e Negociações

O Sinttpac informou que, em linhas que normalmente operam com dois ônibus, a frota foi reduzida para um veículo, enquanto nas linhas com três ônibus, a operação foi reduzida para dois. Por outro lado, as linhas que contam com apenas um ônibus mantêm a operação inalterada. A situação gerou preocupações sobre o transporte público na cidade, levando a população a buscar alternativas durante os horários de maior movimento.

Situação Financeira da Ricco

Embora os motoristas tenham recebido seus salários, o presidente do Sinttpac, Antônio Neto, destacou que ainda existem pendências relacionadas a outros setores da empresa, incluindo trabalhadores da manutenção, limpeza, fiscalização e administrativo, além de férias em atraso. Essa situação financeira delicada da Ricco foi agravada por um prejuízo estimado em R$ 8,6 milhões acumulado em 2025, que foi atribuído a vários fatores, incluindo desgaste da frota e defasagem tarifária.

Respostas da Empresa e Ações Legais

Após a paralisação de 31 das 50 linhas, a Ricco anunciou a retomada integral da frota, fundamentando sua decisão na importância do transporte público para a população, mesmo diante de problemas ainda não resolvidos. Entretanto, a empresa também moveu ações judiciais contra o Sinttpac, solicitando a declaração de ilegalidade da greve e buscando garantir a circulação dos ônibus.

Intervenção Judicial e Supervisão do Trabalho

A desembargadora Vania Maria da Rocha Abensur, em uma liminar, estabeleceu que a paralisação não poderia impedir a entrada e saída dos ônibus e determinou uma circulação mínima de 70% da frota nos horários de pico. Em caso de descumprimento, uma multa diária de R$ 10 mil foi imposta. A Superintendência Regional do Trabalho também está monitorando a situação, e um auditor foi designado para investigar os atrasos de pagamento, podendo resultar em ações legais contra a empresa.

Desafios do Sistema de Transporte Coletivo

A crise no transporte coletivo de Rio Branco é uma realidade há algum tempo, com a Ricco assumindo a operação após a saída da Empresa Auto Aviação Floresta. Para manter o serviço, a Prefeitura de Rio Branco oferece um subsídio de R$ 3,63 por passageiro, permitindo que a tarifa permaneça em R$ 3,50. Esse subsídio se tornou essencial para evitar um aumento nas tarifas, mas a situação financeira da empresa levanta questões sobre a sustentabilidade do serviço a longo prazo.

Conclusão

A paralisação dos motoristas da Ricco em Rio Branco expõe as fragilidades do sistema de transporte coletivo na capital acreana, evidenciando problemas financeiros e estruturais que precisam ser abordados. Enquanto as negociações prosseguem e a situação é monitorada por autoridades, a população aguarda soluções efetivas que garantam um transporte público de qualidade e regularidade.

Fonte: https://g1.globo.com

Redação - Tapajós Online

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