Operação da PF Investiga Irregularidades em Investimentos do Amazonprev no Amazonas

A Polícia Federal lançou uma operação que investiga potenciais irregularidades em aplicações financeiras do fundo previdenciário Amazonprev, no Amazonas. O foco da operação são quatro indivíduos, incluindo um diretor, dois ex-gestores e um empresário, todos suspeitos de envolvimento em transações financeiras que ultrapassam a marca dos R$ 390 milhões.
Suspeitas de Corrupção e Gestão Temeriária
As investigações apontam que os investimentos foram realizados entre junho e setembro de 2024 e dizem respeito a letras financeiras de instituições bancárias privadas. A apuração da PF sugere indícios de corrupção ativa e passiva, além de gestão temerária por parte dos envolvidos. Para garantir a integridade das investigações, a Justiça autorizou mandados de busca e apreensão e decidiu pelo afastamento dos servidores investigados por um período de 90 dias.
Identificação dos Alvos da Operação
Os indivíduos sob investigação incluem Claudinei Soares, ex-gestor de recursos e coordenador do comitê de investimentos; Cláudio Marins de Melo, diretor de Administração e Finanças; André Luis Bentes de Souza, ex-diretor de Previdência; e Sávio Loyola e Silva, proprietário da empresa ALFA A Consultoria e Gestão de Frota Ltda. O envolvimento de Sávio é particularmente preocupante, pois sua empresa é acusada de transferir valores significativos a servidores que estavam diretamente ligados às decisões de investimentos.
Ações e Decisões Irregulares
De acordo com as evidências coletadas, Claudinei Soares é apontado como o principal responsável por ordenar e executar aplicações sem a deliberação adequada do Comitê de Investimentos. Além disso, ele estaria fracionando operações para evitar limites administrativos. Cláudio Marins de Melo é acusado de ter ratificado essas aplicações, mesmo sabendo da falta de aprovação formal. Já André Luis Bentes de Souza teria participado ativamente nas discussões que levaram à seleção de instituições financeiras, facilitando a realização das operações suspeitas.
Movimentações Financeiras Suspeitas
As investigações também revelaram que a empresa de Sávio Loyola transferiu aproximadamente R$ 600 mil a diversos servidores e gestores, o que levanta sérias dúvidas sobre a legalidade e a ética dessas movimentações, especialmente por ocorrerem sem contratos claros que justificassem essas transações. Essas movimentações coincidem com o período em que as decisões sobre os investimentos estavam sendo tomadas.
Auditoria e Falhas Identificadas
Uma auditoria realizada pelo Ministério da Previdência destacou cinco operações financeiras que levantaram suspeitas, incluindo investimentos de R$ 50 milhões no Banco Master e R$ 125 milhões no Banco C6 Consignado. Muitas dessas operações foram concretizadas sem a devida aprovação das instâncias competentes, levantando questões sobre a governança e o processo decisório no Amazonprev.
Intermediação das Aplicações
As corretoras Terra Investimentos e Mirae Asset foram as responsáveis pela intermediação das aplicações, mas a Polícia Federal encontrou falhas significativas na seleção dessas corretoras, que teriam sido escolhidas sem critérios objetivos claros. Isso gerou preocupações sobre a transparência e a adequação das decisões tomadas pelos gestores do fundo previdenciário.
Conclusão
A operação da Polícia Federal em curso representa um passo importante na busca por justiça e transparência na gestão de fundos públicos. As suspeitas de irregularidades em investimentos do Amazonprev não apenas levantam questões sobre a ética e a legalidade das ações dos envolvidos, mas também ressaltam a necessidade de uma governança mais rigorosa e processos decisórios mais transparentes nas instituições previdenciárias. A sociedade aguarda desdobramentos que possam garantir a responsabilidade dos gestores e proteger os interesses dos contribuintes.
Fonte: https://g1.globo.com





