Operação do MP em Manaus resulta na prisão de policiais militares envolvidos em morte de jovem

Na manhã desta sexta-feira (13), uma operação do Ministério Público do Estado do Amazonas culminou na prisão de dez policiais militares em Manaus. A ação, batizada de 'Simulacrum', visa investigar a morte de João Paulo Maciel dos Santos, um jovem de 19 anos, ocorrida durante uma abordagem policial no bairro Vila da Prata, em outubro de 2025.
Contexto da Operação
A operação investiga supostas irregularidades cometidas pela Rondas Ostensivas Cândido Mariano (Rocam). O caso se tornou amplamente divulgado após a veiculação de gravações que capturaram o momento da abordagem, levantando questionamentos sobre a conduta dos policiais envolvidos.
Mandados de Prisão e Denúncias
No total, a Justiça emitiu 38 mandados relacionados ao caso, sendo 11 de prisão preventiva, 19 de busca e apreensão, além de oito medidas cautelares diversas. As denúncias formuladas pelo Ministério Público incluem 11 acusações de homicídio qualificado e 12 de fraude processual, afetando 19 policiais militares, dos quais quatro enfrentam múltiplas acusações.
Identidade dos Policiais Presos
Entre os detidos, destaca-se o capitão Wilkens Diego Feitosa da Silva. A lista completa dos policiais com mandados de prisão inclui: Cabo Fernanda Braga de Oliveira, Soldado Luilson Marlon Valentim, Soldado Rudicimar Cunha Cativo, Soldado Tiago Salim de Lima, Soldado Jean Thiago Correia Negreiros, Terceiro sargento Alain José Campos da Silva Junior, Soldado Humberto Gondim Barbosa Neto Passo, Cabo Marcel Alves de Paiva, Soldado Denis Ferreira de Souza e Soldado Gelson Zanelato Filho. Um dos mandados ainda não foi cumprido, pois um dos policiais se encontra fora do estado.
Repercussão e Reações
A Polícia Militar do Amazonas emitiu uma nota relembrando que a maioria de seus integrantes atua em prol da proteção da sociedade, reafirmando seu compromisso com a legalidade e a ética. Por outro lado, a defesa da família de João Paulo Maciel expressou otimismo com a operação, considerando-a um passo importante para esclarecer os fatos. Relatos de laudos periciais indicam que a vítima foi atingida por disparos em órgãos vitais, contradizendo a narrativa inicial dos policiais de um confronto.
A Versão da Polícia e a Reação da Comunidade
A versão oficial da Rocam alegou que os policiais intervieram após uma denúncia sobre tráfico de drogas e que houve troca de tiros. No entanto, moradores e testemunhas contestam essa narrativa, afirmando que João Paulo foi abordado sem reação e conduzido para uma área lateral antes de ser baleado. Vídeos de testemunhas mostram a abordagem e o subsequente transporte do corpo, o que gerou indignação na comunidade.
Protestos e Mobilização Social
Após o falecimento de João Paulo, uma onda de protestos tomou conta da Avenida Brasil, em Compensa, onde familiares e amigos exigiram justiça. A mobilização foi marcada por cartazes e gritos de clamor por respostas, resultando em bloqueios de trânsito e uma resposta policial que incluiu o uso de balas de borracha para dispersar os manifestantes. A mãe de João Paulo, Jeciara Maciel, expressou sua dor e indignação, clamando por justiça em nome do filho.
Conclusão
O caso de João Paulo Maciel dos Santos levanta questões sérias sobre a atuação policial e a necessidade de responsabilização em casos de abusos. A operação 'Simulacrum' e as prisões subsequentes refletem um passo significativo no combate à impunidade no sistema de segurança pública. À medida que o processo avança na 1ª Vara do Tribunal do Júri da Capital, espera-se que a verdade prevaleça e que medidas eficazes sejam implementadas para evitar tragédias semelhantes no futuro.
Fonte: https://g1.globo.com





