Investigação sobre a morte de recém-nascido em maternidade de Monte Alegre

Um trágico incidente envolvendo a morte de um recém-nascido na maternidade de Monte Alegre, localizada no oeste do Pará, está gerando uma série de investigações por parte de órgãos de saúde e do Conselho Tutelar local. O evento ocorreu no último fim de semana e levantou questões sobre a qualidade do atendimento oferecido à gestante, que permanece internada após o parto.
Reação das Autoridades de Saúde
O secretário municipal de Saúde, Wallace Oliveira, afirmou que a administração tomou conhecimento da situação e iniciou de imediato uma investigação. Oliveira expressou seus sentimentos à família do bebê e destacou que o Comitê de Prevenção de Mortalidade Materna, Infantil e Neonatal, juntamente com a Vigilância em Saúde, já foi notificado para conduzir a apuração.
No entanto, ele ressaltou que, neste momento, é prematuro determinar as causas da morte do recém-nascido, uma vez que análises do prontuário e dos dados clínicos estão em andamento. "Não podemos nos precipitar sem uma apuração fidedigna", enfatizou.
Histórico de Denúncias do Conselho Tutelar
O caso chamou a atenção do Conselho Tutelar de Monte Alegre, que se reuniu com a Secretaria de Saúde buscando esclarecimentos. De acordo com o conselheiro Rogério Nobre, a maternidade já havia sido alvo de diversas denúncias anteriormente. "Esse não é um problema novo. Temos relatos de situações similares e precisamos entender a raiz do problema, pois é alarmante que recém-nascidos estejam morrendo durante o parto", comentou.
Outro conselheiro, Calebe Torres, também mencionou que o órgão já tinha recebido queixas relevantes e que ainda aguarda respostas. "Estamos aqui para garantir os direitos das crianças e este problema já se arrasta há anos, necessitando de soluções urgentes", afirmou.
Relato da Família da Gestante
A avó do bebê, Genilza Magalhães, compartilhou que sua filha, que era considerada de risco devido à hipertensão, vinha recebendo acompanhamento pré-natal. Segundo ela, a gestante procurou a maternidade na noite de sábado com contrações, mas foi medicada e liberada. Retornando no dia seguinte com dores intensas, ela ficou internada.
"A pressão dela estava alta, mas quando estabilizou, nos mandaram para casa. Ao voltar, ela ficou mais de 24 horas sentindo dor e praticamente apenas monitoraram o batimento cardíaco do bebê, sem outros cuidados", relatou Genilza.
Evolução do Parto e Estado da Mãe
De acordo com a avó, o processo de parto foi lento, mesmo após tentativas de indução. A família alega que havia indicação de cesariana devido à gravidez de risco, mas inicialmente foi decidido tentar o parto normal. "Disseram que iriam ajudar no parto normal, mas a dilatação não progrediu. Depois decidiram pela cirurgia, mas meu neto não resistiu", lamentou.
Genilza também mencionou que o bebê apresentou sinais de vida ao nascer, embora com um choro fraco. A mãe continua internada e, conforme a família, seu estado emocional e clínico é delicado.
Andamento da Investigação
A Secretaria de Saúde revelou que uma reunião já foi realizada com a direção da maternidade e que o caso está sendo analisado tecnicamente. O objetivo é determinar se houve falhas no atendimento ou se as circunstâncias da morte estão ligadas a condições clínicas da mãe e do bebê. O Conselho Tutelar acompanhará as investigações e não descarta a possibilidade de novas ações caso irregularidades sejam constatadas.
A situação continua em desenvolvimento, e as autoridades estão comprometidas em esclarecer todos os aspectos desse caso trágico.
Fonte: https://g1.globo.com





