Ministério Público de Santa Catarina Conclui que Cão Orelha Não Foi Morto por Agressão de Adolescentes

Após uma investigação minuciosa que envolveu a análise de cerca de 2 mil documentos, vídeos e laudos técnicos, o Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC) anunciou que o cão Orelha não foi morto por agressões de um grupo de adolescentes, mas sim devido a uma condição de saúde preexistente. A decisão foi divulgada na terça-feira, dia 12 de setembro, e resultou em um pedido de arquivamento do caso junto à Justiça.
Repercussão da Morte de Orelha
A morte de Orelha, um cachorro que vivia em uma praia de Santa Catarina, gerou grande comoção nacional desde o seu ocorrido em janeiro deste ano. Na época, a Polícia Civil investigou o caso, alegando que o animal havia sido brutalmente agredido por adolescentes. Várias mobilizações públicas ocorreram, clamando por justiça em relação ao incidente.
Análise do Ministério Público
A análise feita pelo MP-SC concluiu que, na manhã em que a suposta agressão teria ocorrido, não houve interação entre os adolescentes e o cão. A promotoria indicou que a morte do animal, que passou por eutanásia, foi ocasionada por uma condição médica severa, não resultante de agressões. O documento apresentado ao Juízo de Direito da Vara da Infância e Juventude foi elaborado na última sexta-feira, contendo 170 páginas de análise.
Reconstituição dos Fatos
A reconstituição cronológica elaborada pelo MP foi crucial para redefinir os fatos. De acordo com a versão inicial da Polícia Civil, um dos adolescentes teria permanecido na praia com Orelha durante aproximadamente 40 minutos. Contudo, a promotoria observou discrepâncias temporais, como uma defasagem de 30 minutos entre os registros de diferentes câmeras, o que alterou a narrativa dos eventos.
Testemunhos e Evidências
Além das inconsistências temporais, a investigação revelou que Orelha não estava presente na praia no momento do alegado ataque. Testemunhas confirmaram que o cão não foi visto naquela manhã, e as análises indicaram que ele se encontrava a cerca de 600 metros de distância do local onde o adolescente estava.
Resultados da Exumação
Laudos periciais e o depoimento do médico veterinário que atendeu Orelha foram determinantes na conclusão do MP-SC. A exumação do animal não revelou sinais de violência, e sim a presença de osteomielite na região maxilar, uma infecção crônica que pode ter origem em problemas dentários. Imagens do crânio mostraram lesões antigas, compatíveis com infecções prolongadas, mas sem evidências de agressão recente.
Encaminhamentos Finais
Com a conclusão das investigações, o MP-SC solicitou o arquivamento do caso principal e também do inquérito que investigava possíveis coações aos familiares dos adolescentes. A promotoria ainda pediu que cópias dos autos fossem enviadas à Corregedoria da Polícia Civil para averiguação de possíveis irregularidades na condução da investigação.
Considerações Finais
A decisão do Ministério Público reflete a importância de uma investigação minuciosa e embasada em evidências concretas, destacando a necessidade de cautela em casos de grande repercussão pública. Orelha, que se tornou um símbolo de compaixão e cuidado animal, será lembrado por sua história, enquanto as autoridades revisitam os procedimentos de investigação para garantir que casos semelhantes no futuro sejam tratados com a devida seriedade.











