Mães de crianças autistas temem por continuidade de terapias após mudanças no Teamarr

Mães de crianças autistas temem por continuidade de terapias após mudanças no Teamarr

Mães de crianças atendidas pelo Centro de Acolhimento ao Autista (Teamarr), localizado em Boa Vista, expressam sua preocupação com a recente desocupação do prédio que abriga o programa. O esvaziamento da sede, ocorrido na última segunda-feira (6), foi precipitado por uma decisão da Assembleia Legislativa de Roraima (Ale-RR) e deixou muitas famílias apreensivas quanto à continuidade das terapias essenciais para o desenvolvimento de seus filhos.

Mudanças na gestão do Teamarr

A alteração na gestão do Teamarr foi anunciada por Jorge Everton, presidente da Ale-RR, durante uma visita ao local. Essa mudança ocorre apenas 12 dias após a exoneração de servidores comissionados, resultando na saída dos profissionais que atuavam no centro e na retirada de materiais utilizados nas terapias. A medida gerou um clima de incerteza entre os responsáveis pelas crianças atendidas, que temem pela interrupção do tratamento.

Preocupações das mães

Durante um protesto em frente à Ale-RR, mães como Iracema Dias Pernia, cujo filho de 15 anos recebe atendimento desde a inauguração do Teamarr em 2022, e Ubrlande Prazeres, mãe de uma menina de 4 anos, manifestaram suas preocupações. Iracema destacou que a troca de terapeutas pode impactar negativamente o tratamento, considerando que cada criança no espectro autista tem necessidades específicas e já havia estabelecido laços com os profissionais.

Impacto no desenvolvimento

Ubrlande complementou que a decisão abrupta pode deixar mais de mil crianças sem atendimento, criando uma lacuna no suporte que elas necessitam. Francene Ramera Silva Lima, outra mãe presente, também expressou sua apreensão ao afirmar que seu filho, que é não verbal, depende de terapias constantes para desenvolver habilidades comunicativas. Ela ressaltou que o progresso construído ao longo dos anos pode ser comprometido pela interrupção do tratamento.

Reunião com a Superintendente de Programas Especiais

Enquanto o protesto ocorria, a Assembleia Legislativa organizou uma reunião com Marília Pinto, Superintendente de Programas Especiais. Durante o encontro, ela assegurou às mães que o programa retornará às atividades no dia 27 de junho e que esforços serão feitos para manter as equipes de profissionais que estavam atuando anteriormente. Marília afirmou que os servidores que atuavam no local foram convidados a permanecer, caso desejassem.

Reações à desocupação

Angela Águida Portella, deputada responsável pelo Teamarr até então, manifestou surpresa com a mudança repentina na gestão do programa. Em sua defesa, Marília Pinto esclareceu que a visita da comitiva ao prédio tinha como objetivo apenas conhecer o funcionamento do local e não foi uma ordem direta para a desocupação. A Ale-RR, por sua vez, negou que a decisão tenha sido tomada unilateralmente pelo presidente e atribuiu a responsabilidade à deputada Angela Portella.

O futuro do Teamarr e seus atendidos

Com a desocupação do prédio, o g1 acompanhou a retirada de brinquedos, materiais lúdicos e equipamentos que eram essenciais para os atendimentos. Policiais militares estavam presentes para garantir a segurança durante o processo. Aproximadamente 750 famílias, totalizando mais de mil crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), dependem dos serviços oferecidos pelo Teamarr, que foi criado em 2022 para proporcionar terapias e acompanhamento contínuo.

A Ale-RR informou que a iniciativa de esvaziar a unidade faz parte de um planejamento para reorganização do programa e que a pausa nas atividades coincide com as férias escolares. Entretanto, as mães permanecem apreensivas e aguardam respostas claras sobre a continuidade do atendimento e a manutenção dos profissionais que já conhecem as necessidades de seus filhos.

Fonte: https://g1.globo.com

Redação - WM

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