Liberdade Provisória para Idoso Acusado de Homicídio em Roraima

A Justiça de Roraima decidiu, nesta sexta-feira (30), conceder liberdade provisória a Procópio José Brito de Oliveira, de 80 anos. Ele é suspeito de estar envolvido na morte de seu irmão, Justino Henrique Pereira, de 79 anos, ocorrida em uma chácara localizada em Rorainópolis, na região Sul do estado.
Decisão Judicial e Argumentos da Defesa
A audiência de custódia foi conduzida pelo juiz Raimundo Anastácio Carvalho Dutra Filho, que argumentou que, até o momento, não havia laudos conclusivos que comprovassem a autoria do crime. O magistrado destacou a ausência de evidências, como exames de DNA ou laudos de confronto hematológico, que pudessem vincular Procópio ao homicídio.
Em sua decisão, o juiz também observou que os objetos apreendidos, como um facão, são ferramentas comuns utilizadas por trabalhadores rurais. Com a liberação, Procópio deverá residir com seu filho em Boa Vista, além de ser proibido de se aproximar de testemunhas e familiares da vítima.
Posição do Ministério Público
O Ministério Público (MP) requereu a prisão preventiva de Procópio, argumentando que o caso é de homicídio qualificado e que a manutenção da custódia é necessária para evitar possíveis interferências nas investigações. O MP também se opôs à prisão domiciliar, ressaltando que a gravidade da situação supera o critério da idade do suspeito.
A defesa, por sua vez, contestou a acusação, afirmando que Procópio foi encontrado em sua residência e que os instrumentos apreendidos eram usados para o trabalho no campo, não havendo evidências que ligassem diretamente o idoso ao crime.
Depoimentos e Circunstâncias do Crime
Durante o depoimento, Procópio alegou ter se ferido ao cair em um barranco. Testemunhas afirmaram que o viram após o acidente e não notaram sangue no facão que ele carregava. No entanto, a Polícia Civil encontrou marcas de sangue na residência de Justino, levando a crer que a violência ocorreu ali antes do corpo ser encontrado a cerca de 80 metros da casa.
A vítima apresentava machucados e queimaduras, e a perícia encontrou uma tampa de galão de combustível próximo ao local do corpo, que pertencia à chácara da família. Inicialmente tratado como homicídio simples, o caso evoluiu para homicídio qualificado com emprego de fogo.
Comportamento do Suspeito e Ameaças
Relatos do filho de Justino indicam que o pai havia sido ameaçado por Procópio um dia antes de seu assassinato. Além disso, testemunhas relataram que o suspeito tinha apresentado um comportamento agressivo e descontrolado nos últimos meses, fazendo ameaças a vizinhos e até a membros da família.
Apesar da idade avançada, a família afirmou que Procópio tinha condições físicas para realizar atividades pesadas, o que levantou suspeitas sobre sua capacidade de cometer o crime. Durante uma discussão familiar, Procópio já havia manifestado intenções de ferir seu irmão, o que aumenta a gravidade das acusações.
Circunstâncias da Prisão
Procópio foi detido em estado de embriaguez, com um corte na mão, e alegou ter se ferido acidentalmente. Entretanto, a versão foi contestada por seu sobrinho, que negou que o idoso tivesse passado por sua casa no momento alegado. Esse desencontro de informações levantou dúvidas sobre a versão apresentada por Procópio.
Conclusão
O caso de Procópio José Brito de Oliveira continua em investigação, com a comunidade local atenta aos desdobramentos. As evidências apresentadas, os depoimentos de testemunhas e a decisão judicial estarão em foco nos próximos dias, enquanto o Ministério Público e a defesa preparam seus argumentos para o desenrolar deste complexo caso de homicídio.
Fonte: https://g1.globo.com













