Empreendimento Feminino Transforma Látex em Joias Sustentáveis na Amazônia

No coração da Amazônia, um projeto inovador, liderado por mulheres, tem se destacado ao utilizar o látex como matéria-prima para a criação de joias sustentáveis. Artesãs locais estão reinventando a moda, promovendo a preservação ambiental e gerando renda para suas comunidades. A empresa Da Tribu, fundada pela artesã Kátia Fagundes, exemplifica essa transformação ao moldar a seiva das seringueiras em peças de beleza única e compromisso ecológico.
A Origem do Látex: Sustentabilidade e Empoderamento
A Da Tribu se destaca não apenas pela produção de joias, mas também pelo impacto social que gera. O látex utilizado é adquirido de famílias de seringueiros que vivem nas ilhas de Cotijuba, Paquetá e Mosqueiro, em Belém, e em Ponta de Pedras, no Marajó. Esse modelo de negócio proporciona uma fonte de renda para essas comunidades, ao mesmo tempo em que promove o empoderamento feminino, já que um grupo de dez mulheres está diretamente envolvido na produção das peças.
Processo de Extração do Látex
O processo de extração do látex é uma prática tradicional que envolve técnicas passadas de geração em geração. Um exemplo é o trabalho de Manoel Barros, conhecido como ‘Seu Bacu’, que extrai o látex de suas seringueiras em Cotijuba. Ele e sua família realizam a coleta pela manhã, utilizando um método chamado ‘riscar’, que consiste em fazer cortes nas árvores para permitir a saída da seiva. Dependendo da época do ano, a coleta se inicia em horários que variam entre 5h15 e 6h30.
O Ciclo de Coleta e Filtragem
Após riscar as árvores, o grupo aguarda o látex escorrer e retorna para coletar o líquido, que pode chegar a 29 litros por dia. Uma vez extraído, o látex passa por um processo de filtragem para remover impurezas, sendo posteriormente transportado para o ateliê de Kátia, onde será transformado em fios e joias.
Produção das Joias Orgânicas
No ateliê, o látex é filtrado e tratado com antifúngicos e bactericidas para garantir sua conservação. Posteriormente, é aquecido a 65°C por cerca de seis horas, processo que estabiliza a seiva. As artesãs então pigmentam o látex com tintas de tecido, criando uma variedade de cores. Essa seiva colorida é aplicada manualmente em fios de algodão, que se transformam em fios emborrachados, utilizados na confecção de colares, anéis, pulseiras e brincos.
Integração da Cultura e Saberes Tradicionais
A Da Tribu não se limita à produção de joias; seu trabalho também abrange a valorização dos saberes tradicionais. Kátia Fagundes destaca que seu empreendimento é um reflexo do respeito às práticas ancestrais e à cultura local. Desde sua fundação em 2009, a empresa tem se dedicado a criar uma cadeia produtiva que respeita tanto a floresta quanto as comunidades que dela dependem.
Apoio e Sustentação do Projeto
Além do reconhecimento local, a Da Tribu participa de iniciativas como a Jornada Amazônia e a Plataforma Parceiros pela Amazônia, que visam fortalecer negócios de base florestal. O suporte do Fundo Vale também tem sido crucial para o desenvolvimento e a expansão das atividades da empresa, permitindo que mais mulheres sejam integradas ao projeto e que a sustentabilidade seja uma prioridade.
Conclusão
A história da Da Tribu é um exemplo inspirador de como a criatividade e a tradição podem se unir para promover a sustentabilidade e a justiça social. Com o uso do látex, as artesãs amazônicas não apenas criam joias, mas também constroem um futuro mais próspero para suas comunidades, demonstrando que é possível conciliar desenvolvimento econômico e preservação ambiental.
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Fonte: https://g1.globo.com





