Investigação do Caso Gustavo: Violência Vicária em Foco

A morte trágica de Gustavo Veloso Feitosa, um menino de apenas 3 anos, está sob investigação da Polícia Civil em Palmas, onde as autoridades buscam elucidar as circunstâncias que cercam o caso. A possibilidade de que o crime esteja relacionado à violência vicária — uma forma de violência utilizada para causar dor a outrem, especialmente a mães, através do sofrimento dos filhos — é central nas apurações. O pai da criança, Igor Veloso, e a madrasta, Kathellen Moreira, encontram-se detidos preventivamente enquanto as investigações progridem.
O Que É Violência Vicária?
A violência vicária é caracterizada pela agressão a um membro da família, frequentemente uma criança, com o objetivo de atingir emocionalmente a mãe. Esse conceito foi formalmente reconhecido na legislação brasileira em 2026, por meio da Lei nº 15.383/2026, que modificou a Lei Maria da Penha. De acordo com a advogada Cristiane Mezzaroba, essa forma de violência reflete um padrão de controle e intimidação, onde a criança se transforma em um instrumento de vingança.
Desdobramentos da Investigação
O delegado responsável pelo caso, Eduardo Menezes, inicialmente solicitou a prisão de Igor e Kathellen por homicídio e tortura, mas a natureza das acusações pode evoluir à medida que novas evidências surgem. A investigação ganhou nova perspectiva com a análise de laudos periciais, que contradizem a narrativa inicial do pai sobre a causa da morte. Gustavo foi encontrado com lesões que não se alinham com um afogamento, conforme indicado pelo Instituto Médico Legal (IML).
Histórico de Ameaças e Conflitos
O contexto da violência doméstica é um fator crucial neste caso. A mãe de Gustavo, Sabrina Feitosa, já havia registrado queixas de ameaças feitas por Igor desde 2023. A disputa pela guarda da criança levou a uma série de conflitos judiciais, e relatos indicam que Sabrina procurou apoio das autoridades em várias ocasiões, evidenciando um padrão de abuso e intimidação.
Repercussão e Mobilização Social
A morte de Gustavo gerou grande comoção na sociedade de Palmas, resultando em uma mobilização significativa das autoridades e da comunidade. O caso veio à tona com a declaração do pai sobre um suposto afogamento, mas essa versão foi rapidamente contestada. Durante a apuração, foram apresentados registros que mostram o menino retornando das visitas ao pai com marcas de agressão, além de vídeos que indicam que a criança estava sob efeito de substâncias, levantando mais perguntas sobre seu bem-estar sob os cuidados do pai.
Perspectivas Futuras
À medida que a investigação avança, a possibilidade de novos crimes sendo atribuídos a Igor e Kathellen não pode ser descartada. As defesas dos acusados pedem cautela e afirmam que todos os esclarecimentos serão apresentados ao tribunal. O desfecho deste caso trágico poderá não apenas trazer justiça para Gustavo, mas também servir como um alerta sobre a necessidade de medidas mais eficazes para combater a violência vicária e proteger as vítimas de abusos.
Fonte: https://g1.globo.com











