Indígenas se unem contra dragagem do rio Tapajós no PA

Indígenas se unem contra dragagem do rio Tapajós no PA

Este artigo aborda indígenas se unem contra dragagem do rio tapajós no pa de forma detalhada e completa, explorando os principais aspectos relacionados ao tema.

A manifestação contra a dragagem

A manifestação contra a dragagem do rio Tapajós, que começou no dia 22 de janeiro, tem ganhado força com a adesão de diferentes grupos indígenas, incluindo os Kayapó e Panará. Com cerca de 1,2 mil participantes, o protesto se concentra principalmente no bloqueio do acesso ao porto da multinacional Cargill, localizada em Santarém, no oeste do Pará. Os manifestantes exigem a revogação do Decreto 12.600/2025, que autoriza a concessão de hidrovias à iniciativa privada sem a devida consulta prévia às comunidades afetadas, um direito garantido pela Convenção 169 da OIT. A ausência de licença ambiental é um dos principais pontos de contestação, com os indígenas alegando que a dragagem trará impactos irreversíveis ao meio ambiente e à cultura local.

Além do impacto ambiental, os indígenas ressaltam que a dragagem comprometerá o modo de vida tradicional das comunidades ribeirinhas, afetando diretamente a relação dessas populações com o rio. Alessandra Korap, liderança Munduruku, enfatiza que a degradação do rio não só ameaça a biodiversidade local, mas também a saúde e o bem-estar das comunidades, cuja identidade está intimamente ligada ao ambiente aquático. A dragagem, segundo os manifestantes, transformaria o rio em uma via de escoamento de commodities, priorizando interesses econômicos em detrimento da preservação cultural e ambiental.

Os dados levantados por engenheiras e pesquisadoras do Grupo de Trabalho Infraestrutura (GT Infra) corroboram as preocupações dos indígenas, apontando a falta de uma licença ambiental adequada e uma série de irregularidades no edital de dragagem. O contrato de dragagem, que prevê um orçamento duas vezes maior que o anterior, também se estende por um período de três anos, abrangendo áreas sensíveis e históricas, como Santarenzinho, onde há registros arqueológicos significativos. Essa situação agrava ainda mais a tensão entre as comunidades indígenas e as autoridades envolvidas no processo.

Impactos socioambientais da dragagem

A dragagem do rio Tapajós, proposta pelo governo federal e apoiada por iniciativas privadas, levanta preocupações significativas sobre seus impactos socioambientais. A prática, que visa aprofundar o leito do rio para facilitar o escoamento de commodities, pode resultar em alterações drásticas no ecossistema aquático da região. Os indígenas e ambientalistas alertam que a remoção de sedimentos pode comprometer a biodiversidade local, afetando espécies de peixes e outros organismos que dependem do equilíbrio ecológico do rio. Além disso, a dragagem pode provocar a erosão de margens, alterando o fluxo natural das águas e prejudicando a qualidade da água.

As comunidades ribeirinhas, que sobrevivem da pesca e da agricultura de subsistência, sentem-se ameaçadas pela possibilidade de degradação do habitat natural. Segundo líderes indígenas, a dragagem não apenas impacta a fauna e a flora, mas também o modo de vida tradicional das populações locais, que têm uma relação intrínseca com o rio. A poluição resultante da atividade, somada à eventual intensificação do tráfego de embarcações comerciais, pode levar à contaminação das águas, tornando-as impróprias para consumo e afetando a saúde das comunidades que dependem desse recurso vital.

Além dos danos ambientais, a dragagem do Tapajós também levanta questões de injustiça social. Os indígenas afirmam que a concessão de hidrovias à iniciativa privada, como previsto no Decreto 12.600/2025, foi realizada sem a consulta adequada às populações afetadas, desrespeitando convenções internacionais sobre direitos indígenas. A privatização dos rios pode resultar na exclusão das comunidades do acesso a seus territórios e recursos naturais, reforçando desigualdades históricas e ameaçando a preservação de suas culturas e modos de vida. O clamor por um diálogo mais inclusivo e transparente se intensifica à medida que os protestos ganham força.

Reivindicações dos povos indígenas

Os povos indígenas que protestam contra a dragagem do rio Tapajós reivindicam, em primeiro lugar, a revogação do Decreto 12.600/2025, que permite a concessão de hidrovias à iniciativa privada. Eles argumentam que essa decisão foi tomada sem a devida consulta às comunidades afetadas, conforme estipulado pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). A falta de uma licença ambiental adequada é outro ponto crítico levantado pelos manifestantes, que temem que a dragagem transforme os rios em corredores de escoamento para commodities, impactando diretamente suas terras e modos de vida tradicionais.

Além das questões legais, os indígenas expressam preocupações profundas sobre as consequências socioambientais da dragagem. Para eles, a operação não ameaça apenas a biodiversidade do rio, mas também o sustento e a cultura das comunidades ribeirinhas. Líderes, como Alessandra Korap, enfatizam que a 'morte do nosso rio' afetará não só a saúde e o bem-estar das comunidades, mas também a preservação de sua língua e cultura. A dragagem é vista como uma forma de exploração que coloca em risco a identidade indígena e a conexão espiritual que eles têm com o meio ambiente.

Os manifestantes também destacam a ampliação do alcance da dragagem, que afetará não apenas o leito do rio, mas também áreas nas proximidades de cidades como Santarém e Itaituba, onde a presença de sítios arqueológicos e urnas funerárias atesta a rica história cultural da região. A mobilização crescente, que já conta com cerca de 1,2 mil participantes, reflete a união entre diferentes etnias, como os Kayapó, Panará e Munduruku, em defesa de seus direitos e do futuro de seus territórios.

Críticas ao Decreto 12.600

O Decreto 12.600/2025, que autoriza a concessão de hidrovias à iniciativa privada, tem gerado intensas críticas por parte dos povos indígenas da região do Tapajós. Os manifestantes alegam que a publicação do decreto ocorreu sem a devida licença ambiental e sem a consulta prévia e informada, como exige a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Essa falta de diálogo é vista como uma violação dos direitos dos povos originários e uma ameaça à preservação cultural e ambiental da região.

Os indígenas, entre eles representantes dos povos Kayapó e Panará, argumentam que a transformação dos rios em hidrovias para escoamento de commodities pode potencializar uma série de impactos socioambientais. Eles expressam preocupação com a possibilidade de que a dragagem e a privatização dos rios acelerem a exploração dos recursos naturais, resultando em danos irreparáveis ao meio ambiente e à subsistência das comunidades ribeirinhas. A liderança Munduruku, Alessandra Korap, enfatiza que a degradação dos rios compromete não apenas a natureza, mas também a cultura e o bem-estar das populações locais.

Além disso, especialistas apontam que o edital de dragagem apresenta falhas significativas, como a ausência de uma licença ambiental robusta e detalhada. Engenheiras do Grupo de Trabalho Infraestrutura (GT Infra) ressaltam que o documento apenas menciona que o processo de licenciamento foi iniciado, sem garantir a proteção necessária ao ecossistema local. O aumento do orçamento e a ampliação das áreas a serem dragadas levantam ainda mais preocupações sobre a transparência e a responsabilidade ambiental na execução do projeto.

Fonte: https://g1.globo.com

Wilson Marinho

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *