Pesquisa revela alarmante índice de furtos de veículos em Rio Branco

Um estudo recente revelou que mais de 7,6 mil moradores de Rio Branco, a capital do Acre, relataram ter seus veículos furtados nos últimos 12 meses. A pesquisa, desenvolvida pela Universidade Federal do Acre (Ufac) em colaboração com outras instituições, busca entender a criminalidade e a percepção de segurança entre a população local.
Dados da Pesquisa de Vitimização
A primeira edição da Pesquisa de Vitimização em Rio Branco ouviu 800 residentes com 16 anos ou mais, revelando que 2,8% dos entrevistados sofreram furto de veículos automotores. Além disso, o levantamento também registrou um índice de 1,5% de roubos de veículos, destacando diferenças significativas entre esses dois tipos de crime, que, embora relacionados, apresentam características distintas.
Diferenças entre Furto e Roubo de Veículos
Os furtos de veículos ocorrem sem a presença de violência ou ameaça, como quando um carro é levado sem que o proprietário perceba. Em contraste, o roubo envolve violência ou a ameaça de força para a retirada do veículo. Essa distinção é crucial para entender a dinâmica da criminalidade na cidade.
Distribuição Geográfica dos Crimes
A pesquisa também revelou a distribuição geográfica dos furtos e roubos em Rio Branco. A área rural apresentou a maior incidência de furtos, com 3,9%, superando a média geral da cidade. No centro e arredores, a taxa foi de 3,3%, enquanto a Baixada e outras áreas registraram 3%. Para os roubos, os bairros Tancredo Neves e São Francisco foram os mais afetados, com 2,5%.
Perfil das Vítimas
O estudo identificou que a maioria das vítimas de furto de veículos está na faixa etária de 40 a 59 anos, com predominância de pessoas com renda familiar acima de cinco salários mínimos. Nos casos de roubo, o perfil das vítimas é semelhante, mas com uma leve concentração entre indivíduos autodeclarados negros.
Subnotificação dos Crimes
Um dado alarmante é a alta taxa de subnotificação dos crimes. Entre as vítimas de furto, 59% registraram boletim de ocorrência, o que significa que aproximadamente 3.145 moradores não formalizaram o fato. Nos casos de roubo, a situação é ainda mais crítica, com apenas 41,7% dos entrevistados buscando registrar o crime. Isso representa cerca de 2.395 pessoas que não procuraram os canais oficiais.
Percepção de Ineficácia e Medo de Retaliação
A pesquisa aponta que a subnotificação está ligada à percepção de ineficácia do sistema policial. Muitos entrevistados expressaram ceticismo sobre a efetividade do registro, afirmando que "não adianta registrar" e que "nunca resolve nada". Além disso, o medo de retaliações é um fator que impede a denúncia de crimes, especialmente em casos de delitos cibernéticos, conforme revelado em estudos anteriores.
Conclusão e Considerações Finais
Os dados apresentados pela pesquisa liderada pela professora Marissol Brandt são preocupantes e refletem a realidade enfrentada pela população de Rio Branco. A conselheira Naluh Gouveia enfatizou a importância de reconhecer essas estatísticas, que muitas vezes ficam ocultas sob narrativas de segurança pública. É fundamental que as autoridades considerem esses números ao planejar estratégias para combater a criminalidade e melhorar a segurança na cidade.
Fonte: https://g1.globo.com











