Investigação aponta erro médico em morte de menino de 6 anos em Manaus

Investigação aponta erro médico em morte de menino de 6 anos em Manaus

A morte de Benício, um menino de apenas 6 anos, em um hospital particular de Manaus, gerou uma onda de indignação e trouxe à tona questões sobre a segurança nos atendimentos médicos. O Fantástico, em sua edição do último domingo (3), revelou as conclusões de uma investigação policial que apontou um grave erro médico, resultante de uma overdose de adrenalina administrada de forma inadequada.

Circunstâncias da Tragédia

Benício foi internado no hospital Santa Júlia após apresentar um quadro de tosse seca. Embora seu estado de saúde não fosse considerado grave, a médica responsável, Juliana Brasil, optou por prescrever adrenalina intravenosa, um medicamento que requer monitoramento rigoroso. A técnica de enfermagem, Raiza Bentes, aplicou a medicação sem realizar a conferência adequada, mesmo após a mãe do menino ter expressado preocupação sobre a administração da substância na veia.

Indiferença Durante o Atendimento

Durante a investigação, a polícia descobriu que a médica estava envolvida em atividades pessoais enquanto Benício recebia atendimento. Mensagens trocadas em seu celular indicam que ela estava vendendo cosméticos e recebendo pagamentos, o que gerou fortes indícios de que estava desatenta ao estado crítico do menino. O delegado Marcelo Martins comentou sobre a gravidade da situação, destacando a aparente indiferença da médica.

Tentativas de Isenção de Culpa

Juliana Brasil também tentou se desvincular da responsabilidade pelo erro médico. Em sua defesa, apresentou um vídeo alegando falhas no sistema eletrônico do hospital que poderiam ter alterado a forma de administração da medicação. Contudo, uma perícia técnica desmentiu essa afirmação, pois não foram encontradas falhas no sistema. Além disso, a médica foi flagrada tentando manipular evidências ao oferecer dinheiro a alguém para gravar um vídeo que respaldasse sua versão dos fatos.

Responsabilidades Compartilhadas

Além da médica, a técnica de enfermagem Raiza Bentes também foi indiciada por homicídio doloso com dolo eventual. Depoimentos revelaram que outra enfermeira havia indicado a aplicação da adrenalina por inalação e deixado um kit preparado, mas Raiza ignorou essa orientação e seguiu a prescrição inadequada. Sua defesa alegou que ela está suspensa e não tem intenção de retornar à profissão.

Falhas Administrativas no Hospital

A investigação também revelou falhas estruturais graves no hospital, como a falta de profissionais qualificados e a ausência de um farmacêutico para supervisionar a prescrição médica. Os diretores do hospital Santa Júlia foram indiciados por homicídio culposo, já que a negligência na gestão e na contratação de pessoal contribuiu para a morte de Benício. A polícia indicou que a prioridade da administração parecia ser a redução de custos em detrimento da segurança dos pacientes.

Conclusão e Consequências Legais

O caso de Benício destaca a importância de rigorosos protocolos de segurança em ambientes hospitalares, bem como a necessidade de um atendimento médico que priorize a vida e a saúde dos pacientes. As medidas legais contra os profissionais envolvidos buscam trazer justiça para a família do menino, enquanto o hospital será responsabilizado por suas falhas administrativas. A médica, embora indiciada por homicídio doloso e outros crimes, responderá em liberdade, levantando questionamentos sobre a responsabilidade e a ética na profissão médica.

Fonte: https://g1.globo.com

Redação - WM

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *