Desigualdade na Educação: Apenas 1,4% dos Jovens de Baixa Renda do Amazonas Concluem o Ensino Superior

Um estudo recente revelou que apenas 1,43% dos jovens provenientes de famílias de baixa renda no Amazonas conseguem concluir o ensino superior ao longo de suas vidas. Essa estatística alarmante faz parte do Atlas da Mobilidade Social Brasil, que destaca as barreiras significativas que dificultam a ascensão econômica no estado.
Desafios na Educação Básica
O levantamento, realizado pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS) em colaboração com o Prospera Lab, aponta que a dificuldade educacional no Amazonas começa na educação básica. A pesquisa indica que apenas 51,25% dos jovens de famílias de baixa renda conseguem concluir o ensino médio, o que representa um obstáculo crítico para a mobilidade social.
Perpetuação da Pobreza
Essa baixa taxa de escolaridade contribui diretamente para a perpetuação da pobreza entre gerações. O estudo revela que somente 19,8% dos filhos de famílias da metade mais pobre conseguem alcançar a metade mais rica da população adulta. Em contrapartida, 80,2% permanecem na parte inferior da escala de rendimentos, refletindo um cenário bem mais desolador do que a média nacional, que é de 66,6%.
Ranking de Mobilidade Social
No contexto do Brasil, o Amazonas se posiciona mal no ranking de mobilidade social, superando apenas o Acre e o Amapá. A pesquisa indica que, sem a formação acadêmica, as oportunidades para os jovens se tornarem parte da elite socioeconômica se tornam quase inalcançáveis. Apenas 1,15% dos filhos de famílias vulneráveis conseguem ingressar nos 10% mais ricos do país, e a taxa de acesso aos 25% mais ricos é de apenas 5,82%.
Análise por Gênero e Raça
O abismo da mobilidade social no Amazonas se torna ainda mais evidente quando analisado sob a perspectiva de gênero e raça. O estudo revela que 89% das pessoas com maior probabilidade de permanecer na metade mais pobre são mulheres, enquanto essa taxa é de 70,8% entre os homens. Para as mulheres não brancas, esse percentual sobe para 89,5%, evidenciando uma intersecção de vulnerabilidades que impede o avanço social.
Metodologia da Pesquisa
O Atlas da Mobilidade Social Brasil analisou a trajetória econômica de famílias brasileiras em dois períodos distintos. Na primeira fase, entre 2006 e 2010, foram identificadas famílias da metade de menor renda com filhos crianças ou adolescentes. Na segunda fase, de 2015 a 2019, o estudo acompanhou esses jovens já adultos para comparar seus rendimentos com a situação original de seus pais. Os autores ressaltam que quanto maior a influência da renda parental sobre o rendimento futuro dos filhos, menor é a mobilidade social do estado.
Reflexões Finais
Os dados revelados pelo estudo são um chamado à ação para a sociedade e os formuladores de políticas públicas. A situação educacional no Amazonas não apenas reflete a desigualdade existente, mas também perpetua um ciclo de pobreza que afeta gerações. A melhoria das oportunidades educacionais e o acesso ao ensino superior são fundamentais para transformar esse cenário e oferecer um futuro mais promissor para os jovens amazonenses.
Fonte: https://g1.globo.com











