Denúncia de Assédio Eleitoral na Sesp de Roraima: Servidores Obrigados a Participar de Convenção Política

Denúncia de Assédio Eleitoral na Sesp de Roraima: Servidores Obrigados a Participar de Convenção Política

Um servidor da Secretaria de Segurança Pública de Roraima (Sesp) fez uma grave acusação de que funcionários da pasta foram forçados a participar de uma convenção partidária e a usar uma camisa amarela em apoio ao governador interino, Soldado Sampaio, que está concorrendo na eleição suplementar. A denúncia veio à tona após o evento que ocorreu em 17 de maio, no Centro de Tradições Gaúchas (CTG) Nova Querência, localizado em Boa Vista.

A Acusação e o Contexto

O servidor, que optou por permanecer anônimo devido ao receio de represálias, relatou que a instrução para comparecimento ao evento foi dada pela secretária da Sesp, Eliane Gonçalves, nomeada por Sampaio logo após sua ascensão ao cargo. Segundo ele, a convocação ocorreu durante uma reunião em 14 de maio, que deveria servir para a apresentação da nova secretária, mas que se transformou em um momento de pressão sobre os servidores.

Detalhes da Reunião Constrangedora

De acordo com o denunciante, a reunião não teve a apresentação esperada e se concentrou em reforçar a presença dos servidores na convenção. Durante o encontro, Eliane Gonçalves teria solicitado a um policial que monitorasse quem estava registrando a reunião, criando um clima de intimidação. "Ela apenas mencionou a convenção e esperava todos lá", contou o servidor, que afirmou ter sentido a pressão dos superiores.

Comunicações Internas e Pressão Direta

Após a reunião, uma servidora próxima à secretária enviou um comunicado via WhatsApp, um canal oficial da Sesp, reforçando a expectativa de participação no evento. Horas depois, a chefe de gabinete da secretária fez o mesmo. Eliane também sugeriu que os servidores usassem camisas amarelas, cor associada à campanha de Sampaio, e enfatizou que o uso de veículos oficiais estava proibido durante o evento.

Consequências da Pressão e o Clima de Intimidação

O servidor relatou ainda que, no dia da convenção, houve uma orientação para que os funcionários enviassem fotos como comprovação de presença, o que aumentou a sensação de coação. Ele expressou que muitos servidores comissionados sentiam-se inseguros em não comparecer, temendo a perda de seus cargos. "A sensação era de que se não fôssemos, haveria consequências", destacou.

Implicações Legais e Aviso do Ministério Público

A situação levantou preocupações sobre a possibilidade de assédio eleitoral, um crime que pode ocorrer quando um ambiente de trabalho é usado para promover atividades políticas. O procurador da República em Roraima, Miguel de Almeida Lima, alertou que é vital separar as esferas de trabalho e campanha política. Ele enfatizou que atos de coação e pressão são inaceitáveis em um ambiente profissional, especialmente durante períodos eleitorais.

Resposta do Governo e Falta de Comentários

A Secretaria de Comunicação Social do governo de Roraima se manifestou, negando que a secretária tenha emitido qualquer ordem para a participação dos funcionários em eventos políticos. No entanto, até o momento, tanto a secretária quanto o governador interino não forneceram um retorno sobre as acusações feitas pelo servidor.

Conclusão

A denúncia traz à tona questões sérias sobre a utilização de cargos públicos para fins eleitorais, ressaltando a necessidade de um ambiente de trabalho livre de pressões políticas. Os desdobramentos desse caso poderão influenciar não apenas as práticas dentro da Sesp, mas também a percepção pública sobre a ética na política de Roraima.

Fonte: https://g1.globo.com

Redação - WM

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