Contaminação no Rio Bacajá: Mancha Verde Ameaça Comunidades Indígenas e Ribeirinhas no Pará

Contaminação no Rio Bacajá: Mancha Verde Ameaça Comunidades Indígenas e Ribeirinhas no Pará

Uma extensa mancha verde, com aproximadamente 30 km de extensão, tem se espalhado pelas águas do Rio Bacajá, localizado no estado do Pará. Este fenômeno ambiental tem levantado preocupações entre as comunidades indígenas e ribeirinhas, que relatam a morte de peixes e a escassez de água potável, essenciais para suas subsistências.

Impactos Diretos nas Comunidades

Os municípios de Anapu e Senador José Porfírio são os mais afetados pela contaminação, que impacta diretamente a Terra Indígena Trincheira Bacajá, habitada pelo povo Xikrin, e a Terra Indígena Arara da Volta Grande, onde reside o povo Arara. Além disso, diversas comunidades ribeirinhas têm enfrentado dificuldades, pois a água do rio, crucial para suas atividades diárias, tornou-se imprópria para o consumo.

Causas da Contaminação

Recentemente, análises realizadas pelo Laboratório Central da Secretaria de Saúde Pública do Pará (Lacen) confirmaram que a mancha verde é resultado de uma superproliferação de cianobactérias, microrganismos que se reproduzem rapidamente em condições favoráveis. Especialistas alertam que a situação é grave e recomendam a suspensão de qualquer contato com a água do rio, devido ao risco elevado de cianotoxinas.

Análise Laboratorial e Riscos Associados

As análises indicaram que em alguns pontos do rio, a concentração de cianobactérias chegou a impressionantes 213.520 células por mililitro, número quatro vezes superior ao limite estabelecido pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Em uma das amostras, a densidade foi tão alta que os pesquisadores não conseguiram mensurá-la, o que demonstra a gravidade da situação.

Fatores Contribuintes e Medidas Tomadas

O surgimento da mancha começou a ser notado por indígenas da aldeia Pykayako no dia 23 de outubro, sendo oficialmente detectado no dia 27 do mesmo mês. Especialistas relacionam a proliferação das cianobactérias à seca severa e ao aumento da temperatura da água, além de possíveis contaminações advindas de agrotóxicos e produtos químicos de atividades de garimpo ilegal. Para uma análise mais aprofundada, amostras adicionais foram enviadas à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para investigar a presença de metais pesados.

Consequências para a Subsistência Local

A situação tem causado uma alteração drástica na rotina das comunidades que dependem do Rio Bacajá. O uso da água para consumo, banho e tarefas domésticas foi suspenso, assim como a pesca, que é uma fonte vital de alimento. Paulo Passos Ferreira, um indígena do povo Arara e pesquisador, expressou sua preocupação: 'Nasci e cresci aqui e nunca tinha visto isso. Não temos mais como tomar banho no rio, também não podemos pescar.'

Perspectivas Futuras e Ações do MPF

A poluição do Rio Bacajá ocorre em um momento crítico, já que se aproxima o período de piracema, quando os peixes se reproduzem, com início programado para o dia 15 de novembro. O Ministério Público Federal (MPF) em Altamira tomou conhecimento da situação e já enviou solicitações de ações urgentes para que o Poder Público intervenha e busque soluções para mitigar os danos.

Conclusão

A mancha verde no Rio Bacajá representa uma ameaça significativa não apenas à biodiversidade local, mas também à sobrevivência das comunidades que dependem desse recurso vital. A continuidade das investigações e a implementação de medidas efetivas para a preservação do ambiente são fundamentais para garantir a saúde e o bem-estar das populações afetadas.

Fonte: https://g1.globo.com

Redação 👨‍⚖️​ Wilson Marinho

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