Acre registra 15 mudanças de nome e gênero para feminino em 2025: Um passo importante para a visibilidade das mulheres trans

Em um contexto marcado por lutas por direitos e reconhecimento, o Acre registrou, em 2025, a retificação de nome e gênero de 15 pessoas, todos para o feminino. A mudança, que ocorre a poucos dias do Dia Internacional da Mulher, ilustra um avanço significativo na busca por direitos e igualdade para as mulheres trans no estado. A Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil) divulgou esses dados, que refletem um momento de transformação pessoal e social.
A experiência de Dahlia Pagu
Dahlia Pagu, uma psicóloga de 24 anos, é um exemplo emblemático dessa mudança. Ao relatar sua experiência de retificação, ela descreve o processo como um renascimento, um passo fundamental em sua jornada de autodescoberta e afirmação. Para Dahlia, a legalização de seu nome não é apenas uma questão burocrática, mas representa a afirmação de sua identidade como cidadã brasileira.
A importância da retificação
A possibilidade de retificar nome e gênero diretamente em cartório, sem a necessidade de uma decisão judicial, facilita a vida de pessoas trans, travestis e não-binárias. Essa mudança permite que documentos oficiais reflitam a verdadeira identidade de gênero, trazendo mais segurança e conforto no dia a dia. Dahlia destacou como essa formalização alterou sua experiência cotidiana, permitindo que se sentisse mais à vontade ao apresentar seus documentos em diversas situações, como consultas médicas ou atendimentos.
Desafios enfrentados
Antes de sua retificação, Dahlia enfrentou momentos desconfortáveis ao apresentar documentos que não correspondiam à sua identidade. A psicóloga compartilhou que frequentemente se deparava com perguntas constrangedoras e situações que poderiam gerar constrangimento. Com a mudança, ela sentiu uma nova segurança, afirmando: 'Agora tenho segurança para existir, estou amparada e existo legalmente para o Estado.'
O processo pessoal de transição
Dahlia também ressaltou que a escolha do nome e a decisão de retificar os documentos são aspectos profundamente pessoais. Durante um longo período, ela hesitou em escolher seu nome, buscando conforto para os outros e enfrentando diversas violências. Essa trajetória culminou em sua formação como a primeira mulher trans em psicologia pela Universidade Federal do Acre (Ufac), onde abordou a temática trans em seu Trabalho de Conclusão de Curso.
Mensagem para outras mulheres trans
Ao se preparar para o Dia Internacional da Mulher, Dahlia enfatizou a importância de celebrar a própria identidade, apesar dos desafios impostos pela sociedade. Para ela, a retificação de documentos tem um significado simbólico profundo. Além disso, deixou uma mensagem de apoio a outras mulheres trans que desejam passar pelo processo: 'Não se cobrem nesse processo e levem o tempo que for necessário. Escutem o próprio desejo sem sentir culpa. Não é um papel que define quem vocês são, mas, se for da vontade, que realizem esse desejo.'
A história de Dahlia e as mudanças registradas no Acre são um reflexo de um movimento maior em defesa dos direitos e reconhecimento das identidades trans. À medida que mais pessoas se sentem encorajadas a buscar sua verdadeira identidade, a sociedade caminha em direção a uma maior aceitação e igualdade.
Fonte: https://g1.globo.com





