A História da Arquitetura Modernista de Belém Através do ‘Raio que o Parta’

A História da Arquitetura Modernista de Belém Através do ‘Raio que o Parta’

Em Belém, a arquitetura local é rica em história e inovação, e um dos seus símbolos mais marcantes é o uso de cacos de azulejos na técnica conhecida como 'Raio que o parta'. Esta abordagem única não apenas embeleza a paisagem urbana, mas também reflete as tradições e a cultura paraense, especialmente em bairros de grande relevância histórica.

A Técnica do 'Raio que o Parta'

Caracterizada por mosaicos criativos formados a partir de azulejos quebrados, essa técnica transforma fachadas em obras de arte geométricas que evocam raios coloridos. Um exemplo notável é a residência das Irmãs Caripunas, cuja fachada foi concebida pelo avô da família, Seu Domingos, um mestre de obras que deixou sua marca nesse estilo peculiar.

Valor Cultural e Divisão de Opiniões

Embora essa expressão artística tenha conquistado muitos, sua aceitação não foi unânime. Nos anos 50 e 60, quando o estilo começou a emergir, arquitetos e críticos frequentemente o viam de forma negativa. Cybelle Salvador Miranda, professora de Arquitetura e Urbanismo da UFPA, menciona que o nome 'Raio que o parta' surgiu como uma crítica, rotulando-o como algo 'cafona' e não digno de ser classificado como arquitetura.

Origem e Inspiração no Modernismo

A técnica de uso de azulejos quebrados é uma herança do modernismo, onde artistas como Burle Marx já exploravam mosaicos em suas criações. Em Belém, a escassez de fábricas de azulejos obrigou os moradores a buscar materiais de fora do estado, e os cacos que chegavam quebrados eram vendidos a preços acessíveis. Essa condição propiciou o surgimento de uma arquitetura que se adaptou às limitações econômicas e criativas da população.

Histórias de Famílias e Preservação Cultural

A tradição do 'Raio que o parta' também é evidente em histórias familiares, como a de Danielle Fonseca e Bárbara Palha. A bisavó delas renovou a fachada de sua casa, originalmente colonial, para se alinhar ao estilo modernista que estava se espalhando pelo Brasil. Bárbara relembra a tentativa de sua mãe em contratar uma arquiteta na década de 90 para alterar a fachada, mas felizmente, o projeto não se concretizou, permitindo que essa memória cultural se mantivesse viva.

Iniciativas para Preservação e Valorização

A arquiteta Gabriele Arnoud é uma das vozes ativas na preservação desse patrimônio arquitetônico. Ela mantém um acervo colaborativo nas redes sociais com fachadas de 'Raio que o parta', buscando ressaltar a importância desse estilo na construção da identidade cultural de Belém. Gabriele acredita que fortalecer o pertencimento da população a esse movimento é crucial para a valorização da história da cidade.

A Importância da Preservação Histórica

Filipe Saraiva, um professor universitário, é um exemplo de como a preservação desse estilo é valorizada na atualidade. Ao adquirir uma casa antiga, ele fez questão de manter a fachada 'Raio que o parta' durante a reforma, reconhecendo seu valor histórico. Para Filipe, é essencial preservar essas características que contam a história da cidade e enriquecem a cultura local.

O 'Raio que o parta' não é apenas uma técnica arquitetônica; é uma expressão cultural que ressoa com a identidade de Belém. Através da valorização e preservação dessa estética, a cidade continua a celebrar sua rica herança, conectando passado e presente de forma única.

Fonte: https://g1.globo.com

Redação - WM

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