Policiais Militares Denunciados por Envolvimento na Morte de Mototaxista em Tocantins

Policiais Militares Denunciados por Envolvimento na Morte de Mototaxista em Tocantins

O Ministério Público do Tocantins (MPTO) apresentou uma denúncia contra os policiais militares Devany Gomes dos Santos e Cláudio Roberto Nunes Gomes, acusados de envolvimento no assassinato do mototaxista Jefferson Lima Borges, de 25 anos. O crime, que ocorreu na rodovia TO-181 em setembro de 2025, é considerado um ato premeditado, motivado pela retaliação da vítima por ter denunciado abusos policiais meses antes.

Circunstâncias do Crime

Jefferson Lima Borges foi assassinado após ser seguido e cercado por policiais militares logo após deixar uma festa em Sandolândia. A denúncia do MPTO indica que ele foi atingido por três tiros de um total de oito disparos feitos durante a abordagem. Os promotores ressaltam que o ato foi impulsionado por vingança, já que a vítima havia denunciado abusos cometidos por policiais em Araguaçu.

Ações da Polícia Militar e Justiça

Após o crime, quatro policiais foram afastados de suas funções em novembro do mesmo ano. Em fevereiro, Devany e Cláudio tiveram suas prisões temporárias decretadas, que mais tarde foram convertidas em prisão preventiva. A Polícia Militar, que está monitorando o caso, confirmou que os envolvidos seguem custodiados no 4º Batalhão da PM em Gurupi, à disposição da Justiça.

Fraude Processual e Ocultação de Provas

O MPTO também denunciou fraude processual, alegando que os policiais teriam simulado a perda da arma utilizada no crime e realizado ações para evitar o rastreamento de seus celulares. Além disso, após o assassinato, a promotoria constatou que não havia registro da apreensão do celular de Jefferson, que foi devolvido sem qualquer documentação que justificasse sua retenção.

Desdobramentos da Investigação

A Polícia Civil cumpriu mandados de busca em três quartéis da PM, coletando informações que podem esclarecer o caso. Uma testemunha, que viu a movimentação de uma caminhonete prata minutos antes de encontrar o corpo de Jefferson, relatou que o veículo era semelhante ao utilizado pelos policiais. Essa informação, que deveria ter sido documentada, foi omitida no registro da ocorrência, levantando mais suspeitas sobre a conduta dos militares.

Nota da Defesa

A defesa dos policiais denunciados informou que ainda não foi oficialmente notificada sobre a denúncia e que, assim que tiver acesso ao processo, buscará demonstrar a verdade dos fatos. Em nota, a defesa ressaltou a importância do contraditório e da ampla defesa, garantias fundamentais previstas pela Constituição.

Conclusão

O caso do mototaxista Jefferson Lima Borges destaca questões sérias sobre a conduta da polícia e a necessidade de responsabilização em casos de abuso de poder. Com a denúncia formalizada pelo MPTO, aguarda-se o desenrolar do processo judicial que determinará a responsabilidade dos policiais envolvidos e as medidas a serem tomadas para garantir justiça à vítima e seus familiares.

Fonte: https://g1.globo.com

Redação - WM

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