Prefeitura de Rio Branco Planeja Ações para Área de Risco em Papoco

A gestão da Prefeitura de Rio Branco está sob os holofotes após a recomendação do Ministério Público do Acre (MP-AC) para a elaboração de um plano de gestão de riscos na área do bairro Dom Giocondo, conhecido como Papoco. A situação se torna ainda mais delicada após a controvérsia sobre a remoção de moradores de áreas consideradas de risco no ano anterior.
Recomendação do Ministério Público
O MP-AC, através do promotor Thalles Ferreira Costa, expressou preocupações sobre pendências que ainda precisam de atenção, mesmo após algumas ações já terem sido tomadas. O documento enviado à prefeitura estabelece um prazo de 30 dias para que as autoridades apresentem as informações solicitadas, incluindo a situação da Escola Municipal Madre Elisa Andreoli, atualmente abandonada.
Apoio às Famílias
Embora a Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Sasdh) ainda não tenha recebido oficialmente a recomendação, a equipe tem trabalhado para apoiar as famílias afetadas. A gestão pública é cobrada para concluir o cadastro socioeconômico das famílias, além de realizar estudos psicossociais e implementar ações de segurança pública voltadas especialmente para crianças e adolescentes.
Situação da Escola Municipal
Um dos pontos críticos da recomendação é a situação da Escola Municipal Madre Elisa Andreoli. O MP-AC solicita que a Secretaria Municipal de Educação (Seme) informe se o imóvel será reformado, se será utilizado para atividades sociais ou se será demolido. A indefinição sobre o futuro da escola gera riscos à segurança pública e à saúde dos moradores, especialmente as crianças.
Atualização do Levantamento Familiar
Além das questões relacionadas à escola, o MP-AC exige uma atualização do levantamento das famílias que vivem na comunidade. Essas informações devem incluir o número de moradores, a situação escolar das crianças, a participação em programas sociais e o interesse das famílias em permanecer ou deixar a área.
Debate sobre a Retirada das Famílias
A discussão sobre a retirada das famílias do Papoco começou em junho de 2025, quando o MP-AC instaurou um procedimento para investigar as políticas sociais na região. Em outubro do mesmo ano, a Sasdh anunciou um plano para retirar as famílias em até 90 dias, citando casos de exploração infantil e tráfico de drogas. Um levantamento indicou que 95% dos moradores estavam dispostos a deixar a área, enquanto uma parte expressiva resistia à mudança.
Reação da Comunidade
A comunidade local, representada pelo presidente da associação de moradores, Wellington Pereira, expressou seu descontentamento com a forma como a situação foi conduzida pela prefeitura. Ele afirmou que muitos moradores foram pegos de surpresa e que a comunidade deseja dignidade e a possibilidade de permanecer em sua localidade, que está centralmente localizada.
Conclusão
A situação no bairro Papoco é um reflexo da complexa interseção entre políticas públicas, direitos humanos e a necessidade de proteção social. A Prefeitura de Rio Branco, sob pressão do MP-AC, enfrenta o desafio de elaborar um plano que atenda tanto às exigências legais quanto às necessidades da comunidade, buscando promover segurança e dignidade para os moradores da área de risco.
Fonte: https://g1.globo.com











