Condenação de Líderes do PCC em Roraima Revela Estrutura do Tráfico de Drogas

Condenação de Líderes do PCC em Roraima Revela Estrutura do Tráfico de Drogas

A Justiça de Roraima emitiu sentenças severas contra cinco membros do Primeiro Comando da Capital (PCC), que foram identificados como líderes e operadores de um esquema de tráfico de drogas no estado. A condenação ocorre após a Operação Fim de Dança, realizada em novembro de 2025, que resultou na prisão dos envolvidos, denunciados pelo Ministério Público.

Sentenças e Detalhes dos Condenados

As penas impostas variam de três a nove anos de prisão, sendo a decisão proferida pela Vara Criminal Única da Comarca de Caracaraí. Entre os condenados, destaca-se Rodrigo Alberto Xavier, conhecido como 'Sorriso Maroto', que recebeu uma pena de 8 anos e 6 meses por organização criminosa e associação para o tráfico. A Justiça optou por extinguir a acusação de tráfico em razão de uma condenação anterior relacionada ao mesmo caso.

Cilara Rodrigues de Souza, apelidada de 'Kauany', foi sentenciada a 9 anos, 1 mês e 7 dias por seu papel no recrutamento de mulheres e na gestão das 'lojas' de drogas. Thelrislainy Stifany de Jesus Icassatte, conhecida como 'Allanna', também recebeu uma pena de 9 anos e 1 mês por sua função de controle financeiro e pagamento de aluguéis de esconderijos. Gleimerson Leonardo de Souza, chamado 'Profeta', foi condenado a 8 anos, 2 meses e 15 dias, enquanto José Daniel Alves de Sousa, que alugou sua propriedade para o armazenamento dos entorpecentes, recebeu uma pena de 3 anos, 5 meses e 7 dias.

Estrutura e Operação do Tráfico

O grupo atuava no chamado 'Setor da FM' do PCC, estabelecendo uma rede altamente organizada para o tráfico de drogas. Investigadores apontam que a facção controlava pelo menos 55 pontos de venda, conhecidos como 'lojas', em diversos municípios, gerando uma receita diária de aproximadamente R$ 1,5 mil. Um segmento dessa rede, com 14 lojas, movimentou R$ 414 mil em apenas quatro meses.

A operação do PCC em Roraima era caracterizada por uma hierarquia rígida e uma clara divisão de responsabilidades, ligada ao setor nacional da facção intitulado 'FM – Progresso'. Enquanto uma porção significativa dos lucros era destinada à cúpula em São Paulo, os gerentes locais retinham entre 25% a 30% dos ganhos.

Revogação de Benefícios e Novas Denúncias

Um ponto importante da sentença foi a revogação da prisão domiciliar de Cilara Rodrigues, anteriormente concedida por ser mãe de filhos menores. A Justiça decidiu por sua prisão preventiva após novas evidências indicarem que ela continuava a comandar operações de tráfico, mesmo sob monitoramento eletrônico.

Localização do 'Cofre Central'

As investigações revelaram que o PCC utilizava uma área de mata na Vicinal 3 do Projeto Cujubim, em Caracaraí, como um local de armazenamento para as drogas. A propriedade era alugada por José Daniel Alves de Sousa, que recebia pagamentos via Pix, feitos pela operadora financeira Thelrislainy. Durante o julgamento, a defesa de José Daniel sustentou que ele não tinha plena consciência da atividade criminosa que ocorria em sua propriedade.

Próximos Passos e Implicações

Com a condenação, o Ministério Público e a Polícia Civil de Roraima continuam a investigar a dimensão da rede de tráfico e o envolvimento de outros possíveis membros da facção. A busca pela justiça e pela desarticulação de operações criminosas em Roraima permanece uma prioridade, com esforços contínuos para desmantelar a estrutura do PCC no estado.

Fonte: https://g1.globo.com

Redação - WM

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *