Oficinas de Nutrição da Apae Transformam a Relação de Crianças com Autismo e Alimentação em Santarém

Oficinas de Nutrição da Apae Transformam a Relação de Crianças com Autismo e Alimentação em Santarém

As oficinas de nutrição promovidas pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) em Santarém, no oeste do Pará, têm se mostrado uma ferramenta eficaz para ajudar crianças diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) a enfrentarem a seletividade alimentar. A nutricionista Verlândia Maria Barros Ranieri compartilhou em suas redes sociais os resultados positivos alcançados, destacando que o trabalho respeita o tempo e as particularidades de cada criança.

Reconhecimento Nacional e Impacto das Oficinas

As oficinas não apenas impactaram a vida das crianças, mas também foram reconhecidas como uma das quatro melhores práticas do Pará, o que lhes garantiu uma vaga no Seminário Nacional de Práticas das APAEs. Este evento, programado para ocorrer online em maio, selecionará os melhores projetos de todo o Brasil. Além disso, uma exposição presencial está agendada para novembro na cidade de Recife.

Processo de Aprendizado Alimentar

De acordo com Verlândia, a aceitação de novos alimentos vai muito além do simples ato de comer. Para as crianças com TEA, é fundamental passar por diversas etapas, que incluem observar, tocar, cheirar e explorar os alimentos antes de finalmente levá-los à boca. "Cada alimento aceito representa não só nutrientes, mas também avanços em desenvolvimento sensorial e regulação emocional", explicou.

Mudanças Visíveis na Rotina Familiar

Os relatos de mães que participaram das oficinas revelam transformações significativas na alimentação de seus filhos. Ana Carla Canté, por exemplo, compartilhou que seu filho, antes restrito a mingau e leite, agora aceita frutas depois de iniciar o acompanhamento. Outra mãe testemunhou a superação de uma criança que, antes incapaz de sentir o cheiro dos alimentos, agora já experimenta novos sabores.

Respeito e Individualidade no Aprendizado

As oficinas se destacam por não forçar as crianças a comer, mas sim por construir uma relação segura com os alimentos. A abordagem conhecida como "escalada do comer" permite que cada avanço, por menor que seja, seja celebrado. "O tempo e a história alimentar de cada criança são respeitados, garantindo que mesmo na ausência de ingestão, o aprendizado sensorial já está em andamento", afirmou Verlândia.

Apoio às Famílias e o Potencial de Expansão

O projeto não beneficia apenas as crianças, mas também oferece suporte essencial às famílias. Muitas mães relatam que, ao se depararem com as dificuldades alimentares de seus filhos, encontraram nas oficinas um espaço de acolhimento e aprendizado. Uma participante expressou que, ao participar, obteve apoio e conhecimento que antes lhe faltava. A nutricionista destacou que o objetivo é expandir essas práticas, permitindo que mais famílias tenham acesso a um suporte similar.

Conclusão: Um Modelo de Inclusão Alimentar

As oficinas de nutrição da Apae em Santarém se configuram como um modelo promissor que pode ser replicado em outras instituições e na rede pública de saúde. O enfoque não está apenas na alimentação em si, mas também nas conquistas que cada criança alcança ao longo do processo. Com a intenção de ampliar o alcance das práticas de inclusão alimentar, a iniciativa pode contribuir para uma mudança significativa na vida de muitas famílias.

Fonte: https://g1.globo.com

Redação - WM

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