Um levantamento recente realizado pela Universidade Federal do Acre (Ufac) trouxe à tona dados preocupantes sobre a violência doméstica em Rio Branco. A pesquisa, que entrevistou 800 pessoas em diferentes áreas da capital acreana, revelou que mais de 10 mil mulheres foram vítimas desse tipo de violência nos últimos 12 meses.
De acordo com a pesquisa, 10.494 mulheres com mais de 16 anos relataram ter sofrido violência doméstica, o que representa 7,3% da população feminina adulta da cidade. Além disso, 18,4% afirmaram já ter vivido essa experiência em algum momento de suas vidas, totalizando cerca de 26.450 mulheres.
A pesquisa revelou que a maior concentração de casos nos últimos 12 meses ocorreu na região da Baixada da Sobral, onde 9,6% das entrevistadas relataram ter sido vítimas. Outras áreas com alta incidência incluem o Centro e entorno (7,8%), Belo Jardim e Vila Acre (6,8%), e Tancredo Neves e São Francisco (6,1%). Curiosamente, a zona rural não apresentou registros de violência na amostra estudada.
O estudo identificou que as mulheres entre 40 e 59 anos foram as mais afetadas, com 10,7% relatando violência doméstica no último ano. Além disso, a incidência foi notavelmente maior entre aquelas com ensino médio (8,8%) e fundamental (8,3%), bem como entre aquelas que têm uma renda familiar de até dois salários mínimos (7,7%).
Um dos aspectos alarmantes destacados pela pesquisa é a subnotificação dos casos. Apenas 30% das mulheres que sofreram violência nos últimos 12 meses formalizaram a denúncia, enquanto 70% optaram por não registrar boletim de ocorrência. Estima-se que, ao todo, 7.346 mulheres vivenciaram essa situação sem que os casos fossem reportados às autoridades competentes.
Entre as formas de violência identificadas, 60,2% das vítimas relataram ter sofrido violência psicológica, que inclui ameaças, humilhações e controle financeiro. Já 39,7% dos casos foram classificados como violência física. Especificamente, os dados mostram que 36,5% das vítimas enfrentaram agressões físicas, enquanto 20,6% relataram ameaças e xingamentos.
A pesquisa também analisou os perfis dos agressores. Metade dos casos de violência doméstica teve como autor um ex-cônjuge ou ex-companheiro, e 30% foram praticados por parceiros atuais. Os familiares, como pais e responsáveis, corresponderam a 10% das agressões reportadas, mostrando que a maioria das violências ocorre dentro do contexto íntimo.
A pesquisa destacou que apenas 29,9% das vítimas procuraram serviços de apoio oferecidos pelo governo, enquanto 70% não buscaram ajuda. Os principais motivos para essa omissão incluem a falta de confiança na eficácia das autoridades, medo do agressor e a percepção de que as agressões não eram graves o suficiente para justificar uma denúncia.
Os dados apresentados pela pesquisa evidenciam a urgência de um fortalecimento nas políticas de prevenção e apoio às vítimas de violência doméstica em Rio Branco. A articulação entre os resultados da pesquisa e o contexto social atual aponta para a necessidade de ampliar o acesso à rede de suporte e reduzir as barreiras que dificultam a denúncia. A situação exige atenção imediata e ações concretas para proteger as mulheres e promover um ambiente seguro.
Fonte: https://g1.globo.com
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