Em uma importante atualização de seu calendário vacinal, o Sistema Único de Saúde (SUS) anunciou que, a partir de agosto, crianças de 4 anos receberão uma nova dose de reforço da vacina contra a poliomielite. Essa mudança marca o retorno a um esquema vacinal que havia sido utilizado até 2024, com a diferença de que agora será exclusivamente empregada a vacina injetável.
Anteriormente, o protocolo vacinal incluía três doses da vacina injetável, que utiliza o vírus inativado, administradas aos 2, 4 e 6 meses de idade, seguidas por duas doses de reforço com a vacina oral, conhecida como gotinha, que contém o vírus enfraquecido. Contudo, o Ministério da Saúde decidiu interromper a aplicação da vacina oral devido à possibilidade, embora rara, de mutações do vírus atenuado que poderiam causar a doença.
Com a nova diretriz, o esquema vacinal será agora composto por cinco doses da vacina injetável. As crianças devem receber três doses iniciais aos 2, 4 e 6 meses, seguidas de reforços aos 15 meses e aos 4 anos. Essa estratégia visa garantir uma proteção robusta contra a poliomielite, especialmente em um cenário em que a doença continua a representar riscos em algumas partes do mundo.
De acordo com Isabela Ballalai, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBI), a necessidade de reforços se justifica pela diminuição da proteção conferida ao longo do tempo. As doses adicionais são cruciais para manter os níveis de imunidade elevados. A profissional enfatiza que, embora o Brasil esteja com a poliomielite sob controle, surtos em outras regiões do mundo podem aumentar o risco de retorno da doença ao país.
A vacina é especialmente direcionada a crianças menores de 5 anos, uma vez que essa faixa etária apresenta maior vulnerabilidade ao desenvolvimento de complicações graves em caso de infecção pelo vírus da poliomielite. Em situações de surto, a vacinação de adultos também é recomendada para ampliar a proteção da população.
O Brasil não registra casos de poliomielite há 37 anos, tendo recebido em 1994 o certificado de área livre de circulação do vírus. Apesar do sucesso na erradicação da doença em território nacional, o vírus ainda circula em algumas regiões do mundo, tornando a vacinação um recurso essencial para a prevenção de surtos futuros, como os que ocorreram entre 1968 e 1989, quando mais de 26 mil infecções foram registradas.
A reintrodução das doses de reforço da vacina contra a poliomielite pelo SUS representa um passo significativo na manutenção da saúde pública. Com um cronograma atualizado e focado na proteção das crianças, o país busca assegurar que a poliomielite permaneça erradicada, prevenindo o surgimento de novos casos e garantindo a segurança de toda a população.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br
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