A Universidade Estadual de Roraima (UERR) anunciou a retomada das aulas presenciais em seu Campus Boa Vista, prevista para a próxima terça-feira, dia 3. O restabelecimento das atividades presenciais ocorre após a normalização dos serviços de limpeza, que eram essenciais para garantir condições adequadas de uso dos espaços acadêmicos.
Desde o dia 20 de fevereiro, os alunos da UERR estavam assistindo às aulas de forma remota. Essa mudança ocorreu em meio a um clima de insatisfação, culminando em um protesto realizado pelos estudantes em frente à sede administrativa da universidade. O ato tinha como objetivo contestar a decisão de iniciar o semestre letivo 2026.1 exclusivamente por meio de aulas online.
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A universidade esclareceu em comunicado que a volta às aulas presenciais foi possibilitada pela reabertura do Sistema Integrado de Planejamento, Contabilidade e Finanças (Fiplan) e por um remanejamento orçamentário que permitiu a contratação dos serviços de limpeza. A Pró-Reitoria de Ensino e Graduação (Proeg) já notificou as coordenações de curso para informar os alunos sobre o retorno e orientou os professores a reorganizarem os cronogramas das disciplinas.
O remanejamento orçamentário que possibilitou a retomada dos serviços de limpeza ocorre em um contexto de crise institucional na UERR, marcada por um embate com o governo de Roraima. Em fevereiro, a reitoria expressou preocupações sobre a falta de recursos para manter contratos essenciais. Em resposta, o Executivo estadual autorizou a liberação de R$ 4,8 milhões, sendo R$ 4 milhões destinados ao pagamento de empresas terceirizadas.
A situação se agrava com a investigação do Ministério Público, que apura um esquema de desvio de cerca de R$ 15 milhões, supostamente liderado pelo ex-reitor Regys Freitas. Ele é um dos alvos de um pedido de prisão, junto com empresários associados à empresa Ibiapino & Pinheiro Ltda, que prestava serviços à universidade. O caso destaca uma crise de confiança na gestão financeira da UERR.
O Sistema Integrado de Planejamento, Contabilidade e Finanças (Fiplan) não apenas facilitou a normalização dos serviços de limpeza, mas também é um ponto central na investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). O Ministério Público alega que dados financeiros da universidade registrados no sistema começaram a ser deletados em dezembro do ano passado, numa tentativa de ocultar evidências de superfaturamento nos contratos anteriores.
Com a retomada das aulas presenciais, a UERR busca restaurar a normalidade em suas atividades acadêmicas, enquanto enfrenta desafios significativos em sua administração e na confiança pública. A situação financeira da instituição e as alegações de irregularidades apontam para a necessidade de uma revisão profunda de suas práticas de gestão e transparência.
Fonte: https://g1.globo.com
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