No início de 2025, a polícia de Roraima se deparou com um cemitério clandestino em Boa Vista, onde foram encontrados nove corpos, a maioria de cidadãos venezuelanos. As investigações revelaram que esses homicídios estavam ligados ao grupo criminoso conhecido como Tren de Aragua, que atua com força na região.
As autoridades de Roraima têm registrado uma série de incidentes envolvendo essa facção, que agora se espalhou por pelo menos quatro municípios do estado. A origem do Tren de Aragua remonta a uma prisão na Venezuela, a cerca de 60 km de Caracas, e a organização já se expandiu para países como Colômbia, Bolívia, Peru e Chile.
Em um movimento que aumentou a pressão sobre o grupo, o Departamento de Estado dos Estados Unidos classificou o Tren de Aragua como uma organização terrorista estrangeira em 2023. Essa categorização coloca a facção ao lado de grupos notórios como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). Os EUA acusam o TDA de estar envolvido em atividades criminosas como sequestros, tráfico de pessoas e drogas, além de ter laços com o governo de Nicolás Maduro.
Um dos principais golpes à estrutura do Tren de Aragua ocorreu em setembro de 2023, quando o governo venezuelano recuperou o controle do Centro Penitenciário de Aragua, comumente conhecido como Tocorón. Este local era considerado a sede da facção e estava sob o domínio de líderes criminosos, conhecidos como pranes, por mais de uma década.
Após a perda de poder na Venezuela, o Tren de Aragua encontrou em Roraima um ambiente mais propício para suas operações. Desde 2016, a facção começou a se infiltrar em solo brasileiro, aproveitando-se das condições de vida mais favoráveis em comparação com a Venezuela, onde eram alvos de autoridades.
No Brasil, a facção tem se consolidado especialmente no tráfico de drogas, armas, e no controle de redes de prostituição e extorsão. A jornalista Ronna Rísquez, especialista no tema, ressalta que o Tren de Aragua encontrou na região Norte do Brasil oportunidades de expandir seus negócios ilícitos, além de lavar dinheiro de suas atividades criminosas.
Um dos principais líderes do Tren de Aragua é Johan Petrica, que, segundo relatos, teria mantido uma rotina de cruzar a fronteira com facilidade e até ter um filho no Brasil. No entanto, em dezembro de 2022, ele e outros membros foram indiciados pelos EUA por terrorismo e tráfico internacional de drogas, e seu paradeiro permanece desconhecido.
A presença do Tren de Aragua no Brasil representa um desafio significativo para as autoridades locais, que tentam conter a expansão dessa facção criminosa. O envolvimento de uma organização classificada como terrorista pelo governo dos EUA destaca a gravidade da situação e a necessidade de estratégias eficazes para combater o crime organizado na região.
Fonte: https://g1.globo.com
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