Um incêndio devastador em Araguaína, no norte do Tocantins, resultou na morte de Ivano Vaz Cunha e sua enteada, Laiane Cardoso Noleto, de 19 anos. O caso, que está sob investigação da Polícia Civil, reabre cicatrizes de um crime horrendo cometido por Ivano em 2009, quando foi condenado pela morte de sua outra enteada, Layla Athyla Maranhão.
Ivano Vaz Cunha, que na época tinha 49 anos, foi condenado a 35 anos de prisão por assassinato, estupro e incêndio, crimes que chocaram a sociedade. Layla foi brutalmente estuprada, asfixiada e queimada, um caso que deixou uma marca profunda na comunidade local. O delegado Silneyr Deófanes de Castro, que liderou a investigação, descreve Ivano como um 'verdadeiro psicopata', destacando a ausência de arrependimento do réu.
Na quarta-feira, 3 de outubro, os bombeiros foram chamados para conter um incêndio em uma residência localizada no setor Lago Azul I. Durante a operação, encontraram os corpos carbonizados de Ivano e Laiane. O corpo da jovem estava escondido debaixo de um guarda-roupa, enquanto Ivano foi localizado sobre os restos de uma cama. Ambos estavam sem roupas na parte inferior do corpo, e vestígios de gasolina foram encontrados no local, levantando suspeitas sobre a natureza do incêndio.
Após cumprir parte de sua pena em regime fechado, Ivano foi transferido para um regime semiaberto, onde utilizava uma tornozeleira eletrônica. A Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju) informou que ele obteve o direito ao trabalho externo, o que lhe permitia se deslocar por todo o estado para atividades laborais. No entanto, violações ao sistema de monitoramento foram registradas, e o Judiciário foi notificado sobre essas ocorrências.
O delegado aposentado, Silneyr Deófanes, que atuou na Polícia Civil por 30 anos, relembra com pesar o caso de Layla Athyla. Ele afirma que a brutalidade do crime permanece viva em sua memória, especialmente após o anúncio da morte de Ivano junto a Laiane. Silneyr recorda que, após o crime de 2009, Ivano se apresentou espontaneamente em uma emissora de televisão, onde foi imediatamente preso, evidenciando sua frieza diante da situação.
A Polícia Civil segue investigando as circunstâncias do incêndio que culminou na morte de Ivano e Laiane. Testemunhas afirmam ter ouvido uma explosão antes de o fogo se alastrar, e uma tentativa de resgate foi frustrada pela intensidade das chamas. A investigação buscará determinar se a tragédia foi um acidente ou se houve intenção criminosa.
O caso em Araguaína é um lembrete sombrio da violência familiar e das consequências trágicas que podem advir de relações abusivas. A sociedade e as autoridades continuam a debater sobre a segurança pública e a eficácia do sistema de justiça em lidar com indivíduos que cometem crimes tão graves. Enquanto a investigação avança, a memória de Layla e os eventos recentes trazem à tona questões importantes sobre proteção e prevenção de crimes.
Fonte: https://g1.globo.com
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