O Conselho Federal de Medicina (CFM) anunciou, nesta segunda-feira (1º), a proibição do uso do polimetilmetacrilato (PMMA) em procedimentos médicos, especialmente aqueles voltados para preenchimentos estéticos na pele. A decisão visa proteger a saúde dos pacientes, considerando os graves riscos associados ao material, que incluem reações adversas severas e até morte.
Os efeitos colaterais do uso do PMMA são alarmantes. Entre os problemas identificados estão alergias, inchaços, dores intensas, necrose e até a perda de partes do corpo. De acordo com o CFM, essas complicações justificam a severidade da proibição, que entra em vigor oficialmente a partir de amanhã, com a publicação da resolução nº 2.461/2026 no Diário Oficial da União.
José Hiran da Silva Gallo, presidente do CFM, enfatizou a importância desta decisão para a segurança da população. A relatora da resolução, a cirurgiã plástica Graziela Bonin, complementou que a proibição se aplica exclusivamente ao ato médico, não afetando outras profissões que possam usar o PMMA. Qualquer uso ou publicidade do material por médicos será considerado uma infração.
O polimetilmetacrilato é um polímero plástico transparente que, quando utilizado em estética, é injetado na forma de gel com microesferas. Ele atua como um preenchedor permanente, mas sua segurança depende de um registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A médica Graziela Bonin alertou que o PMMA provoca reações inflamatórias crônicas no organismo, podendo resultar em complicações graves, como a formação de granulomas e migração do material injetado. Além disso, a remoção do PMMA é um processo complexo e mutilante, exigindo a retirada de áreas de tecido saudável em muitos casos.
A resolução do CFM prevê uma única exceção ao uso do PMMA: o tratamento da lipodistrofia em pacientes com HIV/aids, que deve ser realizado em unidades de saúde credenciadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e seguindo protocolos rigorosos. Essa prática foi adotada desde 2004, visando atender a uma necessidade específica de saúde.
Em janeiro de 2025, o CFM já havia solicitado à Anvisa a proibição total da comercialização do PMMA, citando casos de mortes e complicações graves em procedimentos realizados por profissionais não médicos. Apesar disso, a Anvisa respondeu que o produto é seguro quando utilizado conforme as diretrizes atuais. O CFM planeja uma nova reunião com a agência para discutir a questão e reforçar a necessidade de banimento do PMMA.
A proibição do uso do PMMA pelo CFM reflete uma preocupação crescente com a segurança dos pacientes nos procedimentos estéticos. Com a implementação desta resolução, espera-se que os riscos associados a este material sejam significativamente reduzidos, promovendo uma prática médica mais segura e ética. A continuidade do debate sobre o banimento total do PMMA e a responsabilidade dos profissionais de saúde será fundamental para garantir a proteção dos pacientes.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br
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