Movimentos indígenas de Roraima se mobilizaram nesta segunda-feira (6) para protestar em apoio ao Acampamento Terra Livre (ATL) e para exigir justiça pela morte do jovem líder indígena Gabriel Ferreira. Os protestos ocorreram nos municípios de Amajari e Uiramutã, onde os participantes levantaram vozes contra as invasões em terras indígenas e clamaram por respostas em relação ao falecimento de Gabriel.
Com o lema "Quem matou Gabriel? Mexeu com um, mexeu com todos", a mobilização no Amajari contou com a presença de aproximadamente 800 pessoas. Os manifestantes contestaram o laudo técnico da Polícia Civil que sugeriu que a morte de Gabriel, ocorrida após um suposto acidente, foi causada por formigas. O jovem, que esteve desaparecido por dez dias, foi encontrado sem vida no dia 10 de fevereiro. As lideranças locais insistem na necessidade de investigações mais aprofundadas sobre o caso.
Em Uiramutã, a situação é igualmente preocupante, com mais de 500 indígenas denunciando invasões recorrentes por parte de garimpeiros e comerciantes ilegais na Terra Indígena Raposa Serra do Sol. A área, que abrange uma faixa de fronteira entre o Brasil e a Guiana, é a segunda maior terra indígena do país em termos populacionais, abrigando mais de 26 mil indígenas de diversos povos, como Macuxi, Taurepang, Patamona, Ingaricó e Wapichana.
Os líderes indígenas enfatizam a urgência de ações governamentais para proteger seu território. Hélio Afonso, coordenador do Centro Willimon, ressaltou que as invasões estão poluindo rios e cachoeiras, comprometendo a saúde ambiental da região. Orlando Pereira da Silva, tuxaua da comunidade Uiramutã, também expressou sua indignação, afirmando que não é aceitável que alguém invada seus lares e destrua seu modo de vida.
O Acampamento Terra Livre, que se realiza em Brasília, é considerado a maior mobilização dos povos indígenas do Brasil. O evento visa fortalecer a luta pelos direitos dos povos originários e dar visibilidade a questões como a demarcação de terras, proteção ambiental e melhorias nas áreas de saúde e educação. Em Roraima, as atividades do ATL seguem até o dia 12 de abril, incluindo debates, palestras e apresentações culturais.
A mobilização em Roraima não apenas destaca a busca por justiça pela morte de Gabriel Ferreira, mas também evidencia a luta contínua dos povos indígenas pela preservação de seus direitos e territórios. Com o início do Abril Indígena, um período de articulação nacional em defesa dos direitos indígenas, os protestos refletem a determinação das comunidades em não permitir que suas vozes sejam silenciadas diante das adversidades.
Fonte: https://g1.globo.com
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