O Ministério Público do Amazonas apresentou uma denúncia contra Beatriz e Robert Ritzentahler, um casal de missionários associados a uma igreja evangélica dos Estados Unidos, por ocupação irregular em uma reserva ambiental. Além deles, um ex-líder comunitário de Novo Airão também figura na denúncia, que se baseia em investigações sobre desmatamento e construção ilegal na área.
A denúncia foi motivada pela recusa do casal em aceitar um acordo proposto pelo promotor João Guimarães Netto, que envolvia a perda das construções irregulares em favor da comunidade Santo Antônio. O casal e o ex-líder comunitário foram acusados de desmatar mais de quatro mil metros quadrados de terra na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Negro, localizada em Novo Airão.
O promotor ofereceu um acordo que, se aceito, encerraria a investigação sem a necessidade de ações penais. Para Beatriz e Robert, o acordo implicava a entrega das construções à comunidade, enquanto o ex-líder comunitário, Edilson Martins Pinheiro, teria como penalidade o pagamento de uma cesta básica ou a prestação de serviços comunitários por um ano. A recusa de ambos levou à formalização da denúncia.
Beatriz, brasileira, e Robert, americano, estabeleceram-se na comunidade há mais de uma década, prometendo benefícios em troca da doação de terras para uma ONG que criaram. Contudo, a validade do termo de doação foi contestada por autoridades, que afirmaram que uma simples assembleia comunitária não poderia conferir tal poder jurídico.
As construções do casal, que incluem imóveis luxuosos, tornaram-se um ponto de discórdia na comunidade. Além de ocuparem ilegalmente a reserva, moradores acusaram Beatriz e Robert de utilizarem suas imagens para arrecadar fundos no exterior, sem que isso beneficiasse a população local. A situação culminou em processos judiciais, onde o casal buscou impedir discussões sobre a doação de terras.
Com a denúncia, os missionários enfrentam não apenas a possibilidade de prisão, mas também a perda das propriedades construídas irregularmente e uma indenização que pode chegar a R$ 5 milhões por danos morais coletivos. A Procuradoria Geral do Estado aguarda uma decisão judicial sobre o caso, que ainda não foi concluído.
Edilson Martins Pinheiro, o ex-líder comunitário, defendeu sua posição, alegando que não cometeu crime ambiental e que a denúncia foi motivada por desavenças pessoais. Ele e sua defesa estão tomando as medidas adequadas para contestar as acusações.
Atualmente, a juíza Juliana Arraes Mousinho ordenou a suspensão de novas construções e a garantia de acesso da comunidade às áreas comuns da reserva. O futuro do casal e de suas propriedades ainda está em aberto, e a comunidade aguarda uma resolução que possa trazer benefícios socioambientais.
As próximas etapas do processo judicial são fundamentais para determinar não apenas o destino dos missionários, mas também a manutenção dos direitos da comunidade local sobre suas terras e recursos.
Fonte: https://g1.globo.com
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