O Festival Folclórico de Parintins, um dos maiores eventos culturais do Brasil, é conhecido por sua rica celebração da cultura amazônica e pela acirrada rivalidade entre os bois-bumbás Garantido e Caprichoso. A escolha dos jurados que decidirão o campeão da competição é um processo minucioso e cercado de sigilo, que envolve exigências técnicas rigorosas e medidas de segurança específicas.
A seleção dos jurados é feita a partir de um banco de dados mantido pela chamada Escola de Jurados, que é composta por profissionais que já atuaram em edições anteriores do festival. Diferente dos anos anteriores, não foi publicado um novo edital para o credenciamento em 2024 e 2025, permitindo que a escolha recorra a esse banco desde 2018. A análise e seleção priorizam jurados que residem fora da Região Norte, buscando garantir uma perspectiva mais imparcial.
Os candidatos à função de jurado devem apresentar documentação que comprove sua formação acadêmica ou experiência reconhecida no setor cultural. Além disso, é essencial que tenham um histórico de participação em julgamentos, crítica de arte ou apoio à produção artística. Outra condição importante é a ausência de vínculos com os bois Garantido e Caprichoso, sendo necessário declarar formalmente que não existem relações que possam comprometer a imparcialidade do julgamento.
A Comissão Julgadora do festival é composta por dez membros, incluindo um presidente e nove jurados. Estes são organizados em três grupos técnicos, cada um focado em aspectos específicos das apresentações. O Bloco A avalia os quesitos musicais, o Bloco B se concentra em cenografia e coreografia, enquanto o Bloco C é responsável pela análise dos itens artísticos. Este modelo visa assegurar uma avaliação técnica e diversificada.
Antes do festival, os jurados passam por um treinamento intensivo conhecido como Escola de Jurados. Essa fase preparatória inclui uma imersão nos regulamentos do evento, critérios de avaliação e elementos culturais presentes nas apresentações. Durante essa etapa, os jurados recebem orientações sobre ética, comportamento e procedimentos técnicos, além de participarem de visitas aos currais e apresentações dos temas dos bois.
Uma das práticas mais intrigantes para os torcedores é o isolamento dos jurados durante o festival. Os nomes dos avaliadores são divulgados apenas na semana do evento, quando já estão em Parintins, a fim de evitar pressões externas. O regulamento exige que a Coordenação de Jurados mantenha sigilo sobre a identidade dos jurados, que são hospedados em um local restrito e monitorado, com controle de acesso rigoroso.
Durante os três dias de competição, os jurados têm seu contato com o mundo externo severamente limitado. Eles não podem se comunicar com dirigentes, fiscais dos bois ou a imprensa de maneira reservada. O transporte entre o local de hospedagem e o Bumbódromo é monitorado, garantindo que o processo de julgamento permaneça imparcial e livre de influências externas. Após as apresentações, os cadernos de votação são lacrados e guardados sob a responsabilidade da Polícia Militar até a apuração oficial.
Esse cuidadoso esquema de seleção e segurança é fundamental para a credibilidade do Festival de Parintins, onde a rivalidade entre Garantido e Caprichoso é intensa e a busca por um julgamento justo é a prioridade máxima.
Fonte: https://g1.globo.com
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