Candidatos ao concurso público para professores da rede municipal de São João da Baliza, localizado no Sul de Roraima, levantaram sérias acusações de irregularidades durante a aplicação das provas. As denúncias surgiram na segunda-feira, 23 de outubro, após a divulgação dos resultados da fase de classificação para a correção da prova dissertativa.
Os concorrentes relataram diversos problemas, incluindo a abertura de envelopes de provas antes do início do certame, a ausência de biometria como previsto no edital, e inconsistências nos critérios de classificação que poderiam beneficiar candidatos com vínculos políticos na região. As provas foram realizadas em 15 de fevereiro, 37 dias após a publicação do edital em 9 de janeiro.
Dois boletins de ocorrência foram registrados por candidatos insatisfeitos com a atuação da banca organizadora, a NTCS Consultoria e Seleções. Até o momento, 94 dos 610 candidatos inscritos foram classificados para a correção da prova dissertativa. A lista final dos aprovados deve ser divulgada nesta terça-feira, 24 de outubro.
Entre os problemas reportados estão: a entrega de envelopes de provas abertos, a falta de biometria, questões com respostas duplicadas que não foram anuladas, e a autorização para o uso de canetas de cor diferente da estipulada no edital. Os candidatos que apresentaram queixas afirmaram que seus recursos foram indeferidos e que já notificaram o Ministério Público de Roraima (MP-RR) sobre as irregularidades.
Em resposta às acusações, a NTCS defendeu a integridade do processo seletivo, afirmando que seguiu todos os protocolos e que a abertura dos lacres dos malotes ocorreu em sala de aula, na presença dos candidatos. A empresa destacou sua experiência de 11 anos na realização de concursos e garantiu a utilização de tecnologia para assegurar um certame seguro e transparente.
A prefeita Luiza Maura (PP) também se manifestou, afirmando que a responsabilidade pela organização e aplicação do concurso era da empresa contratada, conforme a legislação. Ela destacou que até o presente momento, não tinha recebido qualquer comunicação formal sobre irregularidades durante a aplicação. O MP-RR, por sua vez, informou que está aberto a receber denúncias e que os candidatos devem apresentar provas concretas para que uma investigação possa ser iniciada.
As alegações de irregularidades no concurso levantam questões sérias sobre a transparência e a justiça do processo seletivo. Candidatos descontentes ressaltaram que a falta de medidas corretivas por parte da banca organizadora comprometeu a lisura do certame. A situação gera um clima de incerteza e desconfiança entre os participantes, e a expectativa recai sobre as investigações do MP e as respostas da administração municipal.
Fonte: https://g1.globo.com
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