Em uma ação destinada a mitigar os efeitos econômicos da guerra no Oriente Médio e das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos, o governo federal brasileiro anunciou, na última quinta-feira (16), a liberação de R$ 15 bilhões em crédito. Essa iniciativa visa priorizar setores que enfrentam dificuldades financeiras e são considerados estratégicos para a economia nacional.
Durante uma coletiva de imprensa no Palácio do Planalto, o presidente em exercício, Geraldo Alckmin, detalhou os segmentos que poderão acessar os recursos. Entre eles, destacam-se a indústria farmacêutica e a tecnologia da informação, ambos com déficits significativos na balança comercial. A medida é uma resposta direta ao impacto das tarifas de 50% implementadas pelo governo dos EUA e que foram reduzidas para 15% após decisão da Suprema Corte americana no ano passado.
O novo plano de apoio, que se desdobra em uma segunda fase do Programa Brasil Soberano lançado anteriormente, será gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O objetivo é fornecer suporte a empresas que enfrentam dificuldades para exportar, especialmente para o Golfo Pérsico, em decorrência das imposições tarifárias.
A Portaria Interministerial publicada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) estabelece três grupos de empresas que podem se beneficiar do crédito. O primeiro inclui exportadoras de bens industriais que sofreram com as tarifas dos EUA, cujo faturamento bruto com exportações foi de 5% ou mais no período de um ano entre agosto de 2024 e julho de 2025.
O segundo grupo abrange empresas de setores estratégicos como têxtil, químico, farmacêutico e automotivo, que são fundamentais para a modernização produtiva do Brasil. Por fim, o terceiro grupo é composto por empresas que exportam para países do Golfo Pérsico, com critérios semelhantes de faturamento.
As linhas de crédito disponíveis têm como finalidade financiar capital de giro, produção voltada para exportação, aquisição de bens de capital e investimentos em inovação. As taxas de juros variam, sendo de 0,94% ao mês para investimentos e até 1,28% para capital de giro em contratações diretas com o BNDES. Para contratações indiretas, essas taxas podem variar de 1,06% a 1,41%.
Além disso, o programa prevê carências que podem variar entre um a quatro anos, dependendo do tipo de investimento, e prazos de quitação que vão de cinco a vinte anos.
A iniciativa do governo brasileiro reflete uma estratégia de apoio a setores que estão enfrentando desafios significativos em um cenário global adverso. Com a liberação de R$ 15 bilhões em crédito, espera-se que as empresas afetadas possam não apenas superar as dificuldades atuais, mas também se posicionar de forma mais competitiva no mercado internacional.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br
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