O ex-governador do Acre, Gladson Camelí, teve seu recurso negado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que decidiu por unanimidade manter sua condenação a 25 anos e nove meses de prisão. As acusações incluem organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraude à licitação.
A decisão foi proferida durante a sessão da Corte Especial do STJ, realizada na última quarta-feira (5). O recurso, conhecido como embargos de declaração, foi analisado após condenação anterior em maio, que também gerou implicações diretas sobre a elegibilidade de Camelí. Com a condenação, ele se torna inelegível por oito anos, o que impede sua candidatura a cargos públicos.
Apesar da condenação, Camelí oficializou sua candidatura ao Senado para as eleições de 2026 durante uma convenção do seu partido, os Progressistas (PP), que também anunciou Mailza Assis como candidata ao governo do Acre. A pena, que ainda não começou a ser cumprida devido à possibilidade de recursos, levanta questionamentos sobre a viabilidade de sua campanha.
Além da pena de prisão, a decisão do STJ manteve medidas cautelares, como o bloqueio de bens e a proibição de contato com outros investigados. O processo judicial de Camelí é complexo, envolvendo a análise de provas e a legalidade de medidas tomadas durante a investigação. O Supremo Tribunal Federal (STF) já havia anulado parte das provas, mas o STJ considerou que as evidências restantes eram suficientes para a condenação.
As acusações contra Camelí, apresentadas pelo Ministério Público Federal (MPF), incluem a participação em uma organização criminosa que fraudava licitações e desviava recursos públicos. A defesa do ex-governador alegou irregularidades no processo, especialmente quanto à apresentação de provas, afirmando que não teve a chance de se manifestar adequadamente durante o julgamento.
A relatora do caso, ministra Nancy Andrighi, sustentou que as provas demonstravam claramente a participação de Camelí em atividades ilícitas, enquanto o revisor, Luiz Otávio de Noronha, pediu uma pena menor, excluindo algumas acusações. A divergência entre os ministros ilustra a complexidade do julgamento e a importância do debate jurídico na análise das evidências.
A manutenção da condenação de Gladson Camelí pelo STJ representa um marco importante no combate à corrupção e à impunidade no Brasil. O desdobramento desse caso continuará a ser acompanhado de perto, especialmente em relação às suas implicações políticas e legais futuras, uma vez que Camelí busca reverter a decisão e continuar sua trajetória política.
Fonte: https://g1.globo.com
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