A Terra Indígena Yanomami, que se estende por quase 10 milhões de hectares nos estados de Roraima, Amazonas e parte da Venezuela, continua a ser um foco de atenção devido à atividade de garimpo ilegal. Um recente relatório do Instituto Socioambiental (ISA) revela que, embora a área degradada pelo garimpo tenha diminuído significativamente em 2025, a exploração persiste, adaptando-se a novas táticas para evitar a fiscalização.
De acordo com o levantamento, novas áreas impactadas pelo garimpo ilegal somaram 45,2 hectares em 2025, o que representa uma queda de 46% em comparação ao ano anterior. Desde 2020, a degradação total acumulou 5.564 hectares, com a maior parte da destruição ocorrendo antes de 2023, quando o governo declarou emergência em saúde na região. O auge da exploração foi registrado em 2022, com a destruição de 1.800 hectares.
Em resposta à crise humanitária enfrentada pelos Yanomami, o governo federal intensificou suas operações de combate ao garimpo ilegal. Desde 2024, diversas ações, incluindo fiscalizações aéreas, fluviais e terrestres, têm sido realizadas para desmantelar estruturas de garimpo, inutilizar pistas de pouso clandestinas e monitorar rotas de abastecimento. No entanto, os garimpeiros têm mostrado resiliência, mudando suas estratégias para contornar as ações de fiscalização.
Orelatório indica uma mudança significativa na forma como o garimpo é conduzido. Em vez de grandes áreas, a atividade agora ocorre em locais menores, com 121 áreas de garimpo identificadas em 2025, sendo que 90% delas têm menos de um hectare. Essa nova abordagem permite que os garimpeiros operem de maneira menos visível, especialmente em regiões próximas à fronteira com a Venezuela, onde as fiscalizações são mais difíceis.
Além da degradação ambiental, a presença de garimpeiros tem gerado preocupação nas comunidades locais. O sistema de alertas da Terra Yanomami registrou 66 ocorrências territoriais em 2025, com a maioria relacionada a invasões e movimentações de aeronaves clandestinas. Essa situação tem provocado um clima de tensão, com moradores relatando a entrada de munição e armas, utilizadas para coagir lideranças indígenas e recrutar jovens para o garimpo.
A luta contra o garimpo ilegal na Terra Yanomami é um desafio complexo que requer não apenas ações imediatas, mas também estratégias de proteção a longo prazo. Especialistas alertam que, sem vigilância constante e melhorias na regulação da cadeia do ouro, há um risco significativo de novas invasões no futuro. A situação demanda uma abordagem integrada que considere as necessidades das comunidades indígenas e a preservação do meio ambiente.
Fonte: https://g1.globo.com
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