O delegado Rick da Silva e Silva, responsável pela delegacia de Rorainópolis, em Roraima, foi detido na terça-feira, 14 de abril, em meio a uma série de acusações graves que levantam preocupações sobre o uso indevido de seu cargo.
O Ministério Público do estado apresentou uma denúncia contra o delegado, listando crimes como abuso de autoridade, constrangimento ilegal, falsidade ideológica e prevaricação. Esses atos teriam ocorrido entre os dias 24 e 25 de julho de 2025, em Caroebe e São João da Baliza, onde Rick teria utilizado sua posição para beneficiar interesses pessoais, especificamente para proteger o patrimônio de sua sogra.
Conforme a denúncia, Rick solicitou uma viatura e a presença de um agente policial para conduzir o gerente de uma loja pertencente à sua sogra, sob a alegação de um desvio de mercadorias. O pedido foi negado, pois não havia uma investigação formal em curso. No entanto, no dia seguinte, o delegado se apresentou na loja e, sem autorização, pressionou o gerente por explicações sobre produtos avaliados em R$ 45 mil.
A denúncia revela que, ao ser informado de que o gerente não tinha conhecimento dos produtos, Rick adotou uma postura agressiva, ameaçando o funcionário e posteriormente o levando para a delegacia. Dentro da unidade policial, ele fez declarações falsas aos agentes sobre o conhecimento do caso por parte do delegado responsável e impediu que a vítima se levantasse ou deixasse o local.
Além das agressões verbais, Rick também foi acusado de manipular o sistema policial, inserindo informações falsas e citando outro delegado como responsável pela condução do caso. Assim que o delegado titular tomou ciência das irregularidades, ele cancelou os registros feitos por Rick e agendou novas audiências para tratar do assunto.
A defesa de Rick da Silva e Silva manifestou sua intenção de apresentar documentos que comprovem a inocência do delegado, desafiando as alegações de abuso e pedindo que o caso não fosse mantido em sigilo. Contudo, o Ministério Público se opôs a essa solicitação, argumentando que não existiam informações que justificassem o sigilo.
O MP também enfatizou que a extensão das infrações cometidas por Rick, que já é investigado em outros procedimentos criminais, impede a concessão de um 'Acordo de Não Persecução Penal', que poderia evitar que ele enfrentasse um processo judicial. A promotoria solicitou a condenação do delegado e a imposição de uma indenização mínima à vítima.
Vale lembrar que Rick da Silva e Silva já havia sido preso anteriormente, em abril de 2025, sob suspeita de obstruir investigações relacionadas ao assassinato de um casal, conhecido por operar um esquema de agiotagem. Relatos de práticas corruptas, como direcionamento de advogados e cobrança de propinas, foram mencionados em investigações que revelaram o uso de sua posição para fins pessoais.
As acusações contra o delegado Rick da Silva e Silva levantam questões sérias sobre a ética e a integridade dentro das forças policiais em Roraima. À medida que o caso se desenrola, as implicações de suas ações não afetam apenas sua carreira, mas também geram um debate sobre a necessidade de reformas e transparência nas instituições de segurança pública.
Fonte: https://g1.globo.com
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